1 de maio de 2008

Arena da Baixada. Sai a Kyocera e fica a lição.

Após 3 anos de contrato com a Kyocera Mita, divisão de copiadoras da empresa japonesa, o Clube Atlético Paranaense busca um novo patrocinador para o nome de seu estádio, Joaquim Américo.


No começo de 2005, o Atlético Paranaense tornou-se o primeiro clube do futebol brasileiro a assinar um contrato de naming rights - direito de dar nome a um empreendimento ou espaço físico – parceria muito comum na NBA, NFL, NHL e nos estádios da Europa, caso do Emirates Stadium, estádio do Arsenal patrocinado pela Emirates Airlines na Inglaterra.

O contrato que venceu agora em 2008, ia além das 4 linhas. Embora o clube tivesse responsabilidade pela administração e operação do estádio, com total autonomia, a Kyocera podia fazer ações promocionais de seus produtos, tinha liberdade de relacionamento com o público nas partidas do Furacão e estampava o uniforme da equipe.

O contrato inédito no futebol brasileiro representou também a porta de entrada num dos mercados emergentes mais importantes do mundo para a empresa. A escolha do Brasil como sede da Copa de 2014 fez com que o clube pedisse um valor mais alto para Kyocera, o que não foi atendido. Porém, Mauro Holzmann, diretor de marketing do Clube Atlético Paranaense julga a parceria muito positiva: "A Kyocera sabia desta valorização, mas preferiu não renovar. O contrato foi bastante interessante para ambas as partes e todos nós atingimos os objetivos que queríamos. O Atlético mostrou que era possível fazer isto no futebol brasileiro com excelência e a Kyocera conseguiu mais visibilidade, já que estava aterrissando no mercado nacional".

Embora a Rede Globo tenha a politica de não citar nenhum patrocinador (o mesmo caso de não mencionar o nome da Red Bull na sua equipe de F1), a Kyocera teve seu nome muito divulgado pela imprensa brasileira em jornais como Folha de São Paulo, Lance! e O Estado de São Paulo.

Para continuar com a idéia de explorar seu estádio e sua marca, o Atlético Paranaense assinou uma parceria com o clube FC Dallas, dos Estados Unidos. Para receber a assessoria da Premier Partnerships, empresa que faz assessoria de marketing esportivo ao time do Texas, o clube paranaense irá ensinar os americanos a formar jogadores. "Queremos aprender o que eles melhor sabem fazer, que é a 'espetacularização do esporte', tratando o esporte como evento e entretenimento. Portanto, a assessoria deles está redesenhando toda nossa estratégia de aproximação com o mercado publicitário, colocando o Atlético como um grande veículo de comunicação e relacionamento", explica Mauro.

Com projetos semelhantes ao do estádio do Furacão, Palmeiras e Corinthians têm a possibilidade de pegar as lições do Atlético e fazer o mesmo que os clubes estrangeiros fazem, de tirar receita do estádio não apenas nos dias de jogos, mas nos 365 dias do ano. A diferença é que os clubes paulistas estão em um centro muito mais valorizado e possuem uma torcida muito maior.

Fica mais uma vez a expectativa de ver um clube trabalhando sua marca.

Um comentário:

Rodrigo Alexandre Coelho disse...

A tal "paixão nacional" há tempos precisava de uma administração empresarial séria e responsável e que pense os grandes clubes de futebol como empresa.
Já era (ainda é) vergonhosa a situação em que governos estaduais e federais ajudam clubes mal administrados e com corrupção escancarada.
Tomara que ações como essa, retratada no post, sejam um bom indício de novos tempos para o futebol brasileiro.
E tomara que seja uma boa oportunidade também para quem trabalha ou pretende trabalhar com marketing esportivo de forma séria, eficiente e inovadora.