Depois de alguns bons meses trabalhando nos bastidores e com o apoio da Consultoria Groove, eis que o Palmeiras lançou seu programa de sócio-torcedor - Avanti - ontem e contou com a presença do goleiro Marcos. O ídolo foi protagonista na apresentação - inclusive como o primeiro sócio (000.000.001) - que contou também com representantes do Bradesco e do presidente Belluzzo.
O programa sócio-torcedor do Palmeiras vem ao encontro de tudo o que conhecemos neste segmento. Os participantes terão descontos nos ingressos, poderão comprar antes do restante e ainda o clube estuda outros benefícios com outros parceiros. O Palmeiras pretende fechar o estádio apenas com pessoas ligadas ao programa.
Fico me questionando até que ponto isso tudo vale à pena. Em conversa com amigos e conselheiros do clube sempre escuto "quem torce para o clube tem que ser sócio, dar dinheiro para ajudar etc..." e agora parei para pensar nessa questão. Se por um lado o torcedor investe e colabora com a carteira do clube, por outro ele deve e merece receber algo em troca. É a compra de um produto/serviço que necessita ter cobrança, pós-venda e outros pontos que são ligados a esta relação.
Comprar o ingresso antes que todos e ter acesso garantido aos jogos (pagando ingresso, claro), inclusive aqueles de Libertadores que com certeza irão lotar é um bom motivo para você se tornar sócio? Para alguns com certeza sim, porém, para outros não. Neste sentido, acredito que a Groove e o Palmeiras poderiam ter sido mais audaciosos. É claro que o projeto ainda está em fase de lançamento e que novidades devem vir mais pra frente, mas o clube perdeu a oportunidade de sair com algo diferenciado desde o início. Além disso, estamos falando nada mais nada menos de Palmeiras, um dos maiores clubes do país, que vai marcar presença no mais importante campeonato da América do Sul e que tem investido pesado tanto em jogadores como em iniciativas de marketing diferenciadas.
Como está no título, é apenas "mais um sócio-torcedor" e não "O sócio-torcedor". Acho que os clubes devem pensar cada vez mais em consumidores e não em torcedores. Apesar do fanatismo, da paixão, do amor que existe nessa relação, são pessoas que investem tempo e dinheiro em "marcas".
A briga pelo consumidor hoje em dia ultrapassa barreiras de mercado. Se um parque de diversão for analisar a concorrência, deve pensar em recarga de celular pré-pago, vídeo-game, cinema, internet e uma série de outros elementos que mexem com o bolso e com o tempo do target. No futebol também encontramos isso. O concorrente do Palmeiras não é o Corinthians, o torcedor dificilmente irá mudar o clube do coração, mas o time concorre com a internet, com o cinema e com estes outros elementos.
Como ganhar share na vida deste torcedor então? O sócio-torcedor pode ser uma resposta, mas desde que funcione realmente como um programa de relacionamento com vantagens para os dois lados.
As possibilidade são muitas, mas os clubes ainda não acertaram...
Postado por Bruno e Dida
Foto: Globo.com