15 de abril de 2009

Adriano Imperador: triste fim?


Muitas pessoas procuraram a mim e o Dida, pedindo para escrevermos sobre os acontecimentos com o atacante Adriano.

Após quase uma semana de ter anunciado que deu um tempo com o futebol, podemos fazer uma análise prévia do assunto.

Não nos recordamos de ter ouvido algum fato parecido com este, que nos parece ir na contramão de tudo o que falamos aqui no Radar Esporte.

É comum encontrar por aí jogadores que não sabem a hora de parar, que jogam até mais do que deveriam, encontrar milhares de meninos querendo ser jogadores e mais um bocado querendo ser estrelas. Pois bem, Adriano, o menino franzino, surgiu no clube de maior torcida no país, cedo despontou no Flamengo, chegou a ser convocado por Leão para a seleção e logo foi para a Europa.

Na mesma velocidade de tempo, deixou de ser menino e franzino. Deixou de ser aposta. Em pouco tempo virou um jogador forte, uma estrela...o Imperador.

Atacante da Inter de Milão, garoto-propaganda da Nike e substituto natural do Ronaldo Fenômeno na seleção. Quem não conhece a história e lê o post até aqui com certeza fica imaginando a história de uma lenda do futebol nacional (e internacional). Mas não, o fim dessa trajetória parece estar bem mais perto do final do que todos nós imaginamos.

Adriano há um tempo vem se envolvendo em manchetes polêmicas na Itália, causando transtorno no time, mas vimos aqui perto, no São Paulo F. C., o Imperador se reerguer e gritar alto. Foi uma passagem boa para o jogador, para o clube e para o futebol nacional. Um meteoro.

Depois de mais algumas polêmicas, eis que o atacante some e anuncia que vai dar um tempo para o futebol. Disse que cansou, que precisa de um tempo para ele, ficar perto da família, dos amigos, da comunidade onde cresceu. Não anuncia prazo, apenas que não sabe quando voltar ou se irá voltar.

Um susto para muitas pessoas.

Alguns tentam aceitar, dizem que é normal ele precisar desse tempo, pois vive em um mundo que é difícil de imaginar, com paparazzo correndo atrás dele o dia todo, pressão e sem paz.

Mas onde está o lado profissional? Claro que ele já faturou milhões, conquistou títulos, mostrou o enorme potencial que tem. Teoricamente não tem nada para provar para ninguém. Mas como fica sua obrigação com o time, com os patrocinadores e com as pessoas que o ajudaram a chegar até aqui?

Não sabemos ao certo o tempo de duração de seu contrato com a Nike, tampouco as cláusulas, mas a estrela que já foi a bola da vez no "Rala que rola" não poderia sair de cena assim.

Esta talvez seja a posição que diz respeito aos negócios do futebol, às cifras milionárias que ele recebe do clube e de seus patrocinadores. Mas e do outro lado, o que temos?

Adriano é mesmo um meteoro. Esta talvez seja a metáfora que melhor descreva sua situação, como imperador e como pessoa: uma passagem rápida, luminosa e veloz. Isso porque a ‘estrela cadente Adriano’ também parece estar perdendo sua luz pessoal.

Deixemos de lado o ‘jogador Adriano’ e falemos, a partir de agora, apenas de Adriano. As polêmicas em que o atleta tem se envolvido são apenas conseqüência de alguns fatos ligados à sua vida familiar. Em Milão, o atleta se sentia só, distante dos amigos e da família. Além disso, recentemente ele perdeu o pai, o que foi, para muitos, o que fez Adriano degringolar, já que ele literalmente perdeu sua principal referência. Daí para as bebidas, das bebidas para a depressão. Muitos condenam suas idas à favela onde cresceu, mas talvez este seja o único lugar onde ele sinta em casa, onde ele ainda encontre uma conexão com o verdadeiro Adriano que tivemos a oportunidade de ver várias vezes. Adriano não está deixando apenas o futebol, ele está deixando a vida, assim como muitas pessoas que acabam caindo na depressão. O buraco é, definitivamente, muito mais embaixo.

Assim como o meteoro que vemos despontar no céu e nos faz refletir, nem que seja por alguns segundos, Adriano parece fazer o mesmo conosco. No país do futebol, onde o sucesso dos jogadores parece estar ligado a baladas cheias de modelos maravilhosas e muito álcool, carros caríssimos e muito consumismo; o meteoro Adriano nos faz pensar: será que não há nada de errado?

Jogadores sendo “exportados” cada vez mais cedo sem a presença da família, sem um apoio psicológico; fora a barreira da língua, da cultura e até da alimentação – quem nunca ouviu um jogador de futebol reclamando do feijão brasileiro? Adriano hoje talvez pareça exceção, mas este meteoro pode estar nos alertando para uma situação que pode se tornar cada vez mais comum no futuro. Esperamos que não

Sinceramente, não sabemos o que imaginar sobre seu futuro. Se bobear, nem ele.

Mas e vocês, o que acham disso tudo?

Postado por Bruno e Dida



4 comentários:

Max disse...

Lamentavelmente, com a perda do pai, Adriano nunca mais recuperou sua condição psicológica que o fez ser revelado no Flamengo. Até que ponto os clubes - e nesta lista incluo, claro, os times europeus - são coniventes com esta situação ? Um profissional que passa por problemas pessoais vai ter seu desempenho afetado em seu local de trabalho, certamente.

Fernando disse...

É inevitável que um menino suburbano se deslumbre com o glamour de clubes europeus e queira ir para fora fazer o seu pé de meia o quanto antes, acho que o que é necessário é um acompanhamento de psicólogo durante a carreira para eles se manterem centrados. Torcemos para que isso não aconteça com nenhum jogador principalmente que tenha feito tanto pela seleção, mas tem um lado positivo nisso tudo.... Não acredito que Adriano pare de jogar, e quando ele voltar ficará pelo Brasil com chances claras de voltar a seleção, e nosso mercado futebolístico se tornará a cada ano uma grande e poderosa janela para empresas que souberem investir tirarem um grande proveito. Veio Adriano, Ronaldo...qual será a próxima estrela????

tamilys disse...

Amuuu muiito VC adrianOO !!!

Saudades eternas !!!!!111


Seja feliz mEu amore.. fiak com Deus pois elle estar com Vc todos os momentos da s ua vidaaaaa!!

tamilys disse...
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