Num acordo inédito, a Brahma, mais nova apoiadora do Fluminense, vai permitir que os torcedores decidam onde serão alocados os investimentos voltados para a agremiação.
Além das ações já tradicionais, como placas no campo de treinamento, assinaturas nas mídias do time, materiais em pontos de venda e bares temáticos e reformas dos bares da sede das Laranjeiras; no site do clube e da Brahma, haverá algumas opções para que os torcedores definam o que deve ser feito com aquela verba.
A parceria, que leva o nome de investimendo cooperado, é uma iniciativa nova e que, apesar de estar num formato embrionário na minha opinião, pode abrir portas para a criação de novos formatos de patrocínio que vão além do "pacote tradicional" e que agreguem valor para a estrutura do clube e ainda conseguem envolver os torcedores em decisões importantes para o futuro do time.
Desta forma, o patrocinador consegue "garantir" o que está sendo feito com pelo menos parte da verba investida, além de garantir uma marca na história do Fluminense - afinal, imaginem o valor da revitalização da sala de troféus do clube.
Outro ponto que me chama atenção nesta investida da Brahma é que finalmente a marca estabelece o apoio direto a um grande clube brasileiro. Depois de campanhas e mais campanhas com o tema futebol (Ronaldo, Seleção Brasileiras, patrocínio à Copa do Mundo de 2010), o "brahmeiros" precisava de uma atuação mais forte junto aos clubes nacionais.
Não podemos nos esquecer também que a FEMSA, grande concorrente da AMBEV, tem acordos com importantes clubes paulistas (São Paulo F.C. e Corinthians), com exclusividade para a exposição das marcas da cervejaria mexicana nos campos de treinamento e em placas durante as entrevistas coletivas.
Ou seja, agora é ficar de olho e observar as próximas investidas da Brahma.
Será que este acordo com o Fluminense se trata de uma investida isolada ou a marca vem com o intuito de contra-atacar a grande rival FEMSA? Vamos esperar pra ver...
25 de maio de 2010
Brahma & Flu | O torcedor decide
15 de abril de 2010
O efeito Copa do Mundo
De acordo com nota na Exame de Abril, um levantamento realizado pela Crowe Horwarth, especializada em gestão esportiva, constatou que a receita dos clubes com publicidade e patrocínio deve alcançar 16% do faturamento dos clubes em 2010.
Normalmente, este número fica em torno de 10%, mas a Copa de 2014 vem impulsionando estes investimentos.
Sendo assim, as cifras devem chegar perto dos R$ 300 milhões neste ano. Para se ter uma ideia da evolução, este valor era de R$ 190 milhões em 2006, ano da Copa da Alemanha.
Com certeza um crescimento significativo para o nosso futebol - ou pelo menos parte dele.
Fica a expectativa de que esta evolução no faturamento seja acompanhada por uma evolução da gestão de marketing destes clubes.
É claro que alguns dos grandes clubes do Brasil já estão procurando se modernizar, mas é fundamental que estes valores também sejam revertidos para a entrega de um melhor serviço para os torcedores, que ainda estão longe de desfrutar de uma estrutura como a dos países desenvolvidos.
14 de abril de 2010
Nike, Vivo, Volkswagen, Brahma & Seleção Brasileira
Estamos há pouco mais de 50 dias do início da Copa do Mundo da África do Sul e algumas das marcas que patrocinam a Seleção Brasileira de Futebol tem feito um trabalho bacana até aqui.
Explico o meu critério para "trabalho bacana": Patrocinadores preocupados em ir além da exposição na camisa e que buscam conectar de alguma forma a essência da sua marca com o que a seleção pode entregar em termos de imaginário coletivo e identidade com o brasileiro.
Este post não tem a menor pretensão de ser algo oficial, baseado em estatísticas, pesquisas etc. Estou tentando falar sobre o que estou vendo como consumidor mesmo. A mensagem que chega até mim, da forma que chega, com que frequência chega e, como já disse, a relação entre a essência de marca e o que a seleção é capaz de entregar.
Apenas para lembrar, os patrocinadores da seleção brasileira são: Nike, Itaú, Vivo, Guaraná Antarctica, Volkswagen, Gillette, Extra e TAM, Pão de Açúcar e Nestlé e Marfrig (Seara).
Dentre estas marcas, as que me chamaram mais atenção até agora foram Nike, Vivo, Volkswagen e Brahma.
Nike
Não tem o que falar. Esporte e, claro, futebol, já estão no DNA da marca. A Nike encontrou a "fórmula" e vem se aprofundando cada vez mais na essência do futebol brasileiro e o que ele representa. Sem necessariamente ir para o tradicional comercial de 30" na televisão, a Nike consegue gerar bastante cobertura nos meios digitais com os conteúdos que gera - tudo bem que às vezes parece que tudo que a Nike solta nesses ambientes é comentado, mas isto não vem ao assunto.
Além de apropriar muito bem dos jogadores que patrocina e que fazem parte do elenco da seleção, a Nike tem abordado temas que estão diretamente ligados ao nosso futebol: o jeito moleque de jogar, as peladas e até mesmo as mandingas.
No canal da Nike no YouTube você pode assistir aos outros filmes.
Vivo
Telefonia e futebol. O que eles poderiam ter em comum?
Pois parece que a Vivo encontrou a resposta. Ainda debaixo do guarda-chuva "Conexão como nenhuma outra.", a marca entendeu este novo contexto onde as pessoas não assistem mais a uma partida de futebol apenas pela televisão, mas interagem com o conteúdo através de comentários pelo Twitter, SMS entre amigos, MSN e por aí vai... Neste sentido, esta Copa do Mundo deve ser mesmo uma experência nova - até o Twitter está sendo muito utilizado pelos atletas.
A marca está se apropriando deste cenário em sua plataforma de comunicação e está propondo às pessoas a viver a seleção com a marca.
Além do comercial (abaixo), a marca já está desenvolvendo um trabalho em digital envolvendo diversas redes sociais, distribuindo prêmios (viagens para a África, iPhones e camisas oficiais).
Eu Vivo a Seleção
Volkswagen
A ligação óbvia entre o Gol, o carro mais vendido no Brasil, e a Seleção Brasileira se materializou neste belo comercial da AlmapBBDO com Robinho. E não poderia ser diferente, afinal, quem mais tem um produto chamado "Gol"? Tem mais é que se apropriar mesmo...
Esta deve ser uma das maiores campanhas da marca e conta com anúncios, spots de rádio, web, merchandising, PDV e diferentes tipos de ações, além do patrocínio da cobertura do campeonato mundial de futebol na TV.
Retribuição
Anúncio e logo da campanha, criado por Marcello Serpa.
Brahma
Apesar da ligação sempre polêmica entre cerveja e futebol, a Brahma, uma das patrocinadoras oficiais da Copa do Mundo de 2010, tem feito um bom trabalho com a plataforma futebol.
Seguindo o posicionamento guerreiro, a marca conseguiu transferir todo este conteúdo para o futebol. Além disso, a marca tem se apropriado muito bem do futebol brasileiro utilizando jogadores importantes da seleção, como Júlio César, Luís Fabiano e Adriano, na comunicação.
Como disse no início deste post, não tenho a pretensão de fazer uma lista oficial, por isso gostaria de saber se o trabalho de algum dos outros patrocinadoras oficiais chamou a sua atenção.
13 de abril de 2010
Rugby. Isso ainda vai ser grande no Brasil
Não podíamos deixar passar a campanha criada pela Talent para a Topper e o Rugby Brasileiro.
No final do ano passado, a Topper foi anunciada como nova patrocinadora oficial da Associação Brasileira de Rugby e agora veio a mídia de massa com estes dois comerciais que afirmam, de forma humorada, que o esporte ainda vai ser grande no Brasil.
Em 2016, ano das Olimpíadas no Rio de Janeiro, o esporte volta a fazer parte do quadro de modalidades oficiais da competição. Ou seja, uma ótima oportunidade para fazer com que o rugby nacional consiga fazer parte deste movimento mundial em torno da modalidade e também colocá-lo de vez como preferência nacional.
Tarefa fácil? Claro que não.
Aliás, estes dois comerciais tem que ser apenas o início. Só isso não é o suficiente para fazer do rugby algo grande no país.
A Topper tem uma oportunidade de ouro nas mãos. Se investir de fato no esporte, e não só utilizá-lo como plataforma de comunicação, a marca pode ter um grande case no futuro.
Bom para a Topper. Bom para o rugby. Bom para o esporte nacional.
Confira os dois filmes abaixo:
Coletiva
Autógrafo
12 de abril de 2010
Nike e a volta de Tiger Woods
Na última semana, este comercial da Nike com Tiger Woods gerou muita discussão.
Criado pela Wieden+Kennedy, o filme traz a voz do pai de Tiger gravada antes de seu falecimento em 2006 e, por incrível que pareça, a mensagem dita por ele tem uma forte ligação com o momento pelo qual o atleta vem passando desde que sua vida sexual foi escancarada na mídia.
Para uns, a Nike exagerou na dose; para outros, o filme é mais do que feliz.
Na minha opinião, este filme só vem a confirmar uma postura que a Nike como patrocinadora tem com alguns de seus atletas - pelo menos os melhores de seu "portfolio".
Enquanto alguns patrocinadores simplesmente abandonaram o atleta, a Nike esperou, bem quieta, o momento certo para retornar junto com um dos melhores jogadores de golfe de todos os tempos. Deu no que deu; milhares de pessoas falando sobre o filme...
E, como falei anteriormente, não é a primeira vez que a Nike faz isso. Isso mostra que a Nike está conectada, acima de tudo, com as realizações e o potencial que aquele indivíduo tem como atleta profissional.
Foi assim com Kobe Bryant, Jordan, Ronaldo e tantos outros... por que desta vez teria de ser diferente?
1 de março de 2010
Project X | Aprenda com a Red Bull
Vou começar dizendo que definitivamente este é um projeto que deveria servir de inspiração para as empresas que patrocinam o esporte.
A Red Bull é uma marca conhecida por sempre inovar na forma como se comunica, e desta vez não foi diferente. A marca, que patrocina o atleta de snowboard Shaun White construiu um halfpipe exclusivo em algum lugar do Colorado, nos EUA, e toda vez que White quisesse praticar, eles levavam o atleta num helicóptero até o local, para que ele pudesse desenvolver novas manobras longe dos olhos de seus competidores.
O halfpipe, que foi desenvolvido por Frank Welsh, o melhor desenvolvedor de rampas, estava num patamar muito acima das rampas tradicionais. Era extremamente liso, com curvas perfeitas e ainda tinha um espaço com muitos blocos de espuma para diminuir os riscos de lesão de White.
Ou seja, não só a Red Bull proporcionou um lugar fora do alcance dos oponentes de Shaun White, como também criou um lugar com condições praticamente perfeitas para o atleta treinar.
Imaginem se as marcas passassem a pensar o patrocínio também como uma forma de influenciar na condição atlética e não apenas como uma vitrine para suas marcas. É claro que nem sempre isso é tão simples e a dificuldade de um projeto como este pode variar muito de acordo com a modalidade, mas o fato é que este “case” da Red Bull ilustra muito bem como as marcas podem ir além da exposição tradicional na "indumentária" do atleta.
No link vocês podem conhecer mais o projeto, ver imagens e algumas das manobras criadas por Shaun.
E abaixo o vídeo que mostra um pouco mais como tudo funcionou.
Ou seja, o patrocínio também se tornou uma plataforma de conteúdo para divulgação da própria marca Red Bull.
2 de fevereiro de 2010
Tour Taça da Copa do Mundo | Coca-Cola em ação
Caros leitores, 2010 começou e como não poderia ser diferente, em ano de Copa do Mundo, as marcas patrocinadoras têm correr atrás para ativarem o valor investido.
A Coca-Cola já começou algumas ações o ano passado, como “What’s your celebration” e agora em fevereiro traz para o Brasil o Tour da Taça da Copa do Mundo. O evento existe desde 2006 e agora no país pentacampeão fica em exposição por 4 dias: 6 e 7 de fevereiro no Rio de Janeiro e 8 e 9 em São Paulo, sendo que o 1º dia em cada capital será fechado para convidados. Os outros dois dias é para quem participar da promoção no Mc Donalds (também patrocinador da Copa), Cinemark ou WalMart.
A marca busca a presença em massa de crianças e para isso buscou parceria com escolas e ligas esportivas escolares. A procura por ingressos já é grande, e pensando nisso o evento será transmitido ao vivo nos quatro dias de evento às 17h30 (mesmo os dias fechados para convidados especiais serão transmitidos).
Mais informações no site oficial e no site da promoção
Vamos ficar de olho para ver as ativações das outras marcas. É preciso muita ação para potencializar o valor investido no patrocínio...
18 de janeiro de 2010
Tiger Woods, o atleta.
"Veja essa celeuma em torno das infidelidades conjugais de Tiger Woods. Ele é um jogador de golfe; não é um pastor de igreja, nunca andou por aí pregando como os outros deveriam ou não agir. Ser um negro de sucesso então o torna automaticamente um modelo de comportamento e autoriza qualquer um a julgar suas atitudes? Creio que está errado."
O assunto não é nem um pouco novo, mas gostaria de abrir um espaço para pensar com esta última declaração de Morgan Freeman.
Depois que os casos de infidelidade Tiger Woods foram escancarados pela mídia mundial, o primeiro atleta a atingir a marca de 1 bilhão de dólares, e um dos melhores jogadores de golfe de todos os tempos, viu alguns de seus patrocinadores simplesmente desaparecerem após os "escândalos".
O fato é que atletas que representam a modalidade (pelo menos para uma geração),ou se tornam "maiores" que ela acabam, sim, se tornando um modelo de comportamento para a maioria das pessoas. No entanto, concordo com Morgan Freeman quando este diz que isso não nos autoriza a julgá-los.
São pessoas públicas, é claro, mas eu pelo menos estou interessado no que o Tiger Woods e outros atletas me inspiram dentro de seus esportes. Mas, de novo, isso é só minha opinião...
Problemas "extra-quadra" não são novidade pra ninguém. Michael Phelps, o Imperador Adriano, Ronaldo Fenômeno e o próprio Michael Jordan não me deixam mentir, mas acho que cada caso deve ser muito bem ponderado antes de se tomar algumas decisões um tanto quanto drásticas.
O que não faltaram foram números mostrando a desvalorização, na bolsa de valores, das empresas que patrocinavam Tiger Woods nos dias que seguiram a exposição dos casos pela mídia. Entendo a questão financeira por parte das empresas, mas acho que em qualquer setor nós temos que procurar humanizar um pouco mais as decisões.
Eu e o Bruno já escrevemos aqui algumas vezes sobre isso: O que será que vale mais no fim do dia? Romper o contrato com uma das lendas do esporte ou permanecer fiel ao atleta, apoiando a tal "volta por cima" e, quem sabe (?), tirar proveito disso no futuro.
21 de dezembro de 2009
Por quê não?
O caderno Esporte, da Folha de São Paulo deste último domingo, trouxe uma matéria sobre o ano de 2010 para César Cielo.
Ao contrário do que foram 2008 e 2009, 2010 deve ser bem diferente para o atleta mais rápido do mundo na água. Isso porque o maior desafio para Cielo neste ano será o Pan Pacífico, que reúne os principais nadadores do mundo, com exceção dos europeus; e, na verdade, esse é grande problema, já que Alain Bernard, ouro nos 100m livre em Pequim, e Fred Bousquet, recordista nos 50m até a última sexta-feira, quando Cielo pulverizou o recorde, não estarão em Irvine (EUA) para a competição.
É claro que seus treinadores e o próprio atleta dizem que vão com força total ano que vem independentemente dascompetições, mas o fato é que deve ser um ano de menor visibilidade mesmo.
De fato, se pensarmos por este lado, 2010 pode mesmo ser um ano um tanto quanto morno para César Cielo.
Mas pensemos agora como oportunidade em termos de marketing esportivo.
Enquanto lia a reportagem, me lembrei que logo depois de quebrar o recorde, Cielo começou a conversar com os jornalistas, falando como estava ansioso, que mal dormiu... Eis que ele solta para os repórteres que acordou no meio da madrugada e logo bebeu um TNT - marca de bebida energética que o patrocina e que estava estampada no seu braço esquerdo durante a competição.
Mas o que isso tem a ver com o possível 2010 morno para Cielo?
Será que a TNT (foi a primeira que me veio à cabeça depois, mas poderiam ser muitas outras) não deveria tentar promover um desafio que pudesse colocar Cielo lado a lado de seus principais oponentes? Mesmo em ano de Copa, não podemos deixar a poeira baixar (tanto).
Muito provavelmente os resultados não seriam considerados oficiais, mas um evento como esse poderia ter um grande efeito mobilizador em termos de transmissão, patrocinadores e, claro, público, já que Cielo é um dos grandes nomes do esporte nacional atualmente. Outros esportes como o tênis e skate - para citar apenas dois - já trabalham em formatos parecidos.
Não sei se é possível, mas a pergunta que fica é: Por quê não?
17 de novembro de 2009
Pepsi vs. Coca na Copa do Mundo 2010 | Episódio 1
A Pepsi é uma das marcas que, mesmo não sendo a patrocinadora oficial da Copa do Mundo, tenta tirar uma casquinha da visibilidade que o evento proporciona. E dessa vez, parece que não vai ser diferente.
A marca tem planos de lançar muito em breve uma campanha que tem como tema jogadores de futebol e a África. A campanha também ira lançar uma música de caridade, Oh Africa, que deve contar com a participação de alguns consumidores que estão sendo selecionados através de uma ação em digital; tudo para tentar diminuir a ação da sua principal rival e patrocinadora oficial da Copa, a Coca-Cola.
Apesar de não ter informações mais específicas com relação à campanha da Pepsi, é bom ficar atento e ver como a organização da Copa do Mundo vai reagir as marcas não-patrocinadores que partem para o marketing de guerrilha e o tema da Copa para falar com os consumidores.
Recentemente, a FIFA iniciou uma batalha jurídica - da qual saiu vitoriosa - com a Metcash, rede varejista sul-africana, pelo fato da marca ter produzido uma série de pirulitos (sim, isso mesmo)com o nome de Astor Pop 2010. Segundo a FIFA, o uso do número 2010 foi uma violação às regras de uso das marcas do mundial.
É um exemplo relativamente pequeno, mas que sinaliza para o fato de que a FIFA deve fazer de tudo para fechar o cerco em torno das marcas que não patrocinam o mundial.
Mas quando a briga for entre cachorros grandes - leia-se Nike e Pepsi, apenas para citar alguns - quero ver como a organização vai fazer para bloquear iniciativas de marketing que se apropriem do tema só que de forma mais genérica. Com certeza não vai ser tão fácil como foi com a empresa que fabricou os pirulitos...
E aí, quando esses exemplos aparecem, a discussão em torno dos patrocínios oficiais de grandes eventos esportivos voltam à tona.
E tudo está apenas começando.
17 de agosto de 2009
O vôlei feminio de Osasco está de volta com a Nestlé
Quatro meses após a saída do Finasa como investidor da equipe feminina de vôlei em Osasco, a prefeitura da cidade e a diretoria do time conseguiram um novo patrocinador.
A Nestlé, que já patrocinou a modalidade durante a década de 1990, vai custear toda a operação do time, como fazia o Finasa, e irá utilizar a marca Sollys como bandeira da empresa.
É curioso notar que a chegada de Sollys no vôlei feminino acontece após a Unilever decidir que irá substituir a marca Rexona-Ades no time do Rio de Janeiro. Ou seja, sai uma marca de produtos de soja para entrar outra.
Enquanto a Unilever amplia suas possibilidades para uma série de outras ações relacionadas ao time com sua masterbrand, a Nestlé entra com uma marca de menor representatividade e que tampouco é líder na categoria de bebidas de soja. Mas, por outro lado, como masterbrand a Nestlé já é muito forte e talvez neste momento o o objetivo da companhia seja realmente estabelecer a marca Sollys.
Apesar do possível embate entre as duas empresas, o que importa no final das contas é que o vôlei de Osasco está de volta.
10 de agosto de 2009
Palmeiras e o patrocínio do calção
O calção do Palmeiras já teve alguns patrocinadores neste ano. Cosan, Lupo e agora Unimed. Os dois primeiros de fato já foram descartados e o último ganha força dentro do Palestra Itália.
Cosan esbarrou em questões financeiras e Lupo já tinha acertado tudo, mas entrou no mercado de confecção de uniformes (desde quarta fornece material para o Náutico) e virou concorrente da Adidas, fato que impossibilitou o acerto.
Os valores que foram divulgados giravam em torno de R$3 milhões por temporada e ao que tudo indica, a proposta da Unimed supera este valor para a parte de trás do calção alvi-verde.
Provavelmente o contrato irá sair, mas fico me questionando se o valor é alto o suficiente para “sujar” o uniforme do clube ou se teriam outras formas de conseguir este valor em outras ações com maior grau de envolvimento com os torcedores. Acredito que sim, afinal o clube tem uma torcida grande e elementos fortes para serem trabalhados.
Por outro lado, caso o contrato realmente seja firmado, há algumas opções para ser expandido e ir além da logomarca no calção. A Unimed busca um espaço maior em São Paulo e os torcedores do clube podem ser o início para isso.
Mas e vocês, o que acham? Os torcedores se importam se o calção está mais “poluído” ou querem apenas mais dinheiro para o clube?
4 de agosto de 2009
Mais patrocinadores para a Copa 2014
De acordo com nota na Folha de São Paulo de hoje, a CBF deve acertar com mais um patrocinador, o Pão de Açúcar. O contrato, que deve ser assinado nos próximos dias, deve gerar R$5 milhões por ano para a entidade.
O Pão de Açúcar é o quarto patrocinador a fechar com a CBF após o anúncio, em Outubro de 2007 - os outros foram Itaú, TAM e Gillette.
A Lupo, que também fechou acordo com o Palmeiras para estampar sua logomarca no calção do clube por R$ 3 milhões, também é a licenciadora oficial de artigos da FIFA para a Copa 2014.
Daqui pra frente devemos ver mais e mais empresas querendo uma fatia desse bolo.
O meu principal questionamento é se estas empresas que estão investidno cifras milionárias no evento conseguirão tirar proveito disso.
Como já acontece nas Olimpíadas, o número de patrocinadores cresce absurdamente devido a realização do evento, mas são poucos que realmente conseguem se sobressair e gerar uma conexão real. Com certeza veremos pesquisas que colocam algumas marcas como "Top of Mind da Copa" e que nem patrocinam diretamente o evento...
Será que a estratégia das empresas investidoras está a altura do investimento que elas estão fazendo? O que vocês acham?
23 de junho de 2009
Estratégia Pinheiros/SKY
Conforme o Bruno postou aqui no Radar Esporte, o Esporte Clube Pinheiros está formando um supertime para a disputa da Superliga através de uma parceria milionária com a Sky.
O time irá contar com os campeões Olímpicos Giba, Gustavo, Rodrigão e Marcelinho, além do técnico Carlos Alberto Castanheira, o Cebola.

Tenho visto muitas coisas a respeito desta parceria nos principais noticiários esportivos e, por isso, achei importante falar um pouco mais da estratégia da SKY.
Sem dúvida alguma, é o maior projeto de vôlei do país, com investimento de R$15 milhões para as próximas 3 temporadas. Investimento este que completa o projeto de patrocínio esportivo da SKY iniciado há 5 anos e que já tem presença na Stock Car e na equipe Red Bull.
A SKY irá estampar sua logomarca no uniforme do time e terá direito de imagens dos jogadores durante as temporadas. Mas o projeto vai muito além...
A ideia é que o projeto apoie outros esportes de base dentro do Pinheiros, como ginástica, basquete masculino, atletismo e natação. Ou seja, mais do que investir em uma única modalidade já estabelecida em nível nacional, me parece que a SKY quer realmente fazer parte do projeto esportivo do Pinheiros, que, diga-se de passagem, é muito bem estruturado em todas essas modalidades.
Um ponto muito interessante é que a estratégia da SKY consegue, de certa forma, furar o “bloqueio” que o Banco do Brasil estava colocando a outros patrocinadores. Fortemente atrelado ao vôlei há muito tempo, o BB acabava dificultando que outras marcas tirassem proveito da visibilidade da seleção de vôlei nacional e, na outra ponta, a Superliga tinha dificuldades de conseguir mais visibilidade.
O pulo do gato da parceria Pinheiros/SKY foi formar uma espécie de seleção brasileira de vôlei em nível local, desviando alguns dos holofotes para o Pinheiros – pelo menos enquanto a seleção não está em quadra -, o que pode contribuir para inverter o atual padrão e trazer mais exposição para a Superliga na Globo.
Outro ponto importante é que a SKY tem optado em ir pelas bordas. Ao invés de ir para o saturado mercado do futebol, como algumas preferem, a SKY entendeu que explorar outras modalidades poderia trazer mais retorno para sua marca ao permitir que se aproprie mais da modalidade, mesmo com um investimento menor. Não podemos nos esquecer que a ginástica do Pinheiros conta com Daiane dos Santos, os times de basquete de base do clube estão sempre entre os mais competitivos – seja na base ou no profissional – e a natação também é muito forte e tem alguns dos principais nadadores do país em seu elenco, como César Cielo. Sendo assim, com um investimento consistente nessas modalidades, é muito provável que a SKY venha a colher os frutos no futuro.
Também acredito que esta parceria pode estimular movimentos parecidos em outros clubes de São Paulo e do Brasil que tem um trabalho de base forte mas muitas vezes não possuem equipes profissionais, principalmente por questões financeiras.
O que vocês acham? É possível encontrar alternativas de patrocínio que proporcionam cada vez mais retorno em esportes que não o futebol?
11 de junho de 2009
As marcas nos uniformes das ligas dos EUA.
O mercado esportivo americano é mesmo muito diferente. Enquanto discutimos a atual camiseta do Corinthians, lotada de logomarcas de patrocinadores, nos EUA, a NFL resolveu abrir uma brecha, ainda que pequena, para os times e seus patrocinadores. Muito provavelmente pela pressão dos times, que querem ver seu faturamento subir, e patrocinadores, que querem mais e mais visibilidade.
O fato é que as experiências ao redor do mundo mostram que essa fórmula traz resultados, ainda mais em tempos de crise, onde o retorno sobre cada centavo investido ganha uma importância ainda maior.
A NFL aprovou uma resolução que permite que patrocinadores estampem sua marca nos uniformes de treinos. Ainda que sejam em espaços pequenos (uma área de aproximadamente 8.75cm x 11.25cm), é uma decisão que pode trazer mais evoluções neste sentido. Denver Broncos, Detroit Lions, Green Bay Packers, Houston Texans e Tennessee Titans são alguns dos times que afirmaram estar interessados em explorar este tipo de patrocínio.
Há restrições para empresas de tabaco, armamento e álcool - apesar da cerveja dominar os patrocínios na televisão nos eventos esportivos nos EUA. Além disso, os clubes poderão explorar contratos diferentes para a temporada regular e os playoffs, caso cheguem até lá.
Enquanto alguns acreditem que este seja o caminho natural para as ligas profissionais nos EUA no futuro, o VP de Comunicação da NFL, Brian McCarthy, disse que não há chances de que isso aconteça na NFL.
Esperar pra ver.
A WNBA já autorizou que seus times explorem o patrocínio no uniforme de jogo, mas não podemos esquecer que a WNBA está num cenário completamente diferente dos outros esportes nos EUA; times abrem e fecham ano a ano e a liga não passa perto do que a NBA representa. Talvez por isso tenham optado pela decisão na liga feminina e não na NBA.
Duas coisas me chamaram a atenção nesta notícia:
1) O envolvimento da NFL afetando diretamente como os clubes devem operar com seus patrocinadores, ao contrário do Brasil, onde cada time faz o que quer com seu uniforme.
2) Ver os EUA, que sempre se orgulhou de sua estrutura esportiva e se vangloriava por não ter que estampar logomarcas nos uniformes, se rendendo ao formato que é praticamente padrão no mundo todo.
28 de maio de 2009
Google na F1?

Depois de muita especulação, a Brawn GP e a Virgin não chegaram a um acordo e, por isso, a empresa de Richard Branson não deve estampar mais sua marca nos carros da equipe.
Nesta última quarta-feira, Nick Fry, diretor da equipe inglesa, afirmou que as partes não chegaram a um acordo e que o contrato não tinha sido renovado - Richard Branson estaria se negando a desembolsar mais que US$ 250 mil por corrida.
Eu já havia comentado aqui no Radar Esporte que, após a segunda vitória da equipe, a expectativa era de que os contatos aumentassem e que pouco a pouco começássemos a ver mais e mais marcas aparecendo no carro sensação deste ano. Não foi o que aconteceu. Já entramos na temporada europeia e os carros da Brawn GP continuam só com a marca Virgin.
Naquele post fiz um paralelo com o Corinthians que, com o ganho de visibilidade devido a chegada de Ronaldo e os bons resultados, foi deixando seu uniforme cada vez mais parecido com o de um macacão da F1; a Brawn estranhamente não conseguiu reverter os resultados e a maior exposição em mais patrocinadores, pelo menos até agora - se bem que a equipe diz não ter problemas com verba para este ano.
Mas, se por um lado a Virgin não chegou a um acordo com a Brawn, se especula que o Google teria intenções de se tornar um patrocinador da equipe o quanto antes. Larry Page, co-fundador do Google, visitou o paddock da F1 no último GP de Mônaco. Apesar de ser convidado oficial da Vodafone, patrocinadora da McLaren, parece que o grande interesse de Page estava mesmo era na Brawn GP. Alguns também dizem que para a temporada de 2010, o plano de Branson e Page é adquirir a equipe, mas isso não passa de especulação neste momento.
O fato é que, com a saída da Virgin, o carro branco da Brawn parece ser o lugar perfeito para o Google estampar sua marca - mais parecido com o seu site não poderia ficar. ;)
26 de maio de 2009
Exagero Corintiano
Não teve como deixar passar. Após uma série de posts falando bem sobre o Corinthians - sua revitalização na temporada 2009, a contratação de Ronaldo, o patrocínio mais caro do futebol brasileiro etc -, o clube começa a dar sinais de que está perdendo a mão, pelo menos no que diz respeito ao seu uniforme.
Hoje li que o clube alvinegro fechou mais um patrocínio com a Hypermacas, dessa vez com a marca de desodorantes Avanço. Sendo assim, temos uma marca da recém criada Brasil Foods (Batavo, a primeira a fechar com o Corinthians), duas da Hypermacas (Bozzano e Avanço) e três do grupo Silvio Santos (Tele Sena, Lojas do Baú e Banco Panamericano); ou seja, um total de 6 marcas devem estampar o uniforme Corintiano este ano.
O exagero (e o problema) não está no número de patrocinadores que o Corinthians tem conseguido - isso só prova a força do clube este ano -, mas na forma como ambas as partes tem trabalhado esses novos negócios. A Avanço, por exemplo, irá estampar sua logomarca abaixo das axilas dos jogadores.
Que ideia foi essa? No mínimo ela partiu de alguém que quis fazer um link entre produto e situação de uso - fora que se a Avanço busca exposição de marca, o provável é que aconteça justamente o contrário.
Do outro lado temos o clube que permitiu isso em detrimento do seu uniforme, de seu escudo, de suas cores. Hoje o uniforme do Corinthians está mais para um tablóide de supermercado (nada contra), e até os próprios torcedores já estão reclamando.
O Corinthians, com toda a visibilidade que conseguiu após a chegada de Ronaldo, deveria ter um plano de patrocínios mais estruturado. Por exemplo, um número "x" de patrocinadores no uniforme; depois disso, o clube abriria espaço para patrocínio mas fora da camiseta, com ações com a torcida nos dias de jogos, ativação etc... oportunidades não faltam, o que falta é largar essa dependência dos uniformes.
25 de maio de 2009
Grupo chinês compra participação no Cleveland Cavaliers

O Cleveland Cavaliers fechou um acordo com um grupo de investimentos chinês que assumirá 15% das ações da Cavaliers Operating Company, entidade que administra o time e a Quicken Loans Arena, ginásio do Cavaliers.
O acordo, que ainda precisa ser aprovado pela NBA, deve proporcionar oportunidades para o Cavaliers e sua maior estrela, Lebron James. Com o acordo, o Cleveland deve conseguir manter James no elenco depois de 2010, quando ele se torna free-agent. Já para James, que declarou ter planos de se tornar o primeiro atleta bilionário, o acordo pode facilitar sua chegada em um mercado gigantesco como o da China sem ter que deixar o Cavaliers - apesar de também nunca ter afirmado isso.
É claro que não dá pra comparar a estrutura do nosso futebol como negócio e a do basquete norte americano, mas isso sinaliza para algumas oportunidades por aqui.
Enquanto lá eles negociam participação acionária na franquia, por aqui vemos a dependência dos patrocínios na camiseta do time para manter uma estrela como Ronaldo.
"Há vida além da camiseta". Por isso devemos continuar o trabalho de profissionalização do nosso futebol, para que o horizonte de oportunidades se amplie ainda mais. Num momento onde nunca se especulou tanto a volta de grandes jogadores para o Brasil, talvez esteja mais do que na hora de pensarmos em novas formas de viabilizar tudo isso.
15 de maio de 2009
Oportunidade: Natação Brasileira
No último troféu Maria Lenk, os nadadores brasileiros conquistaram um feito: o Brasil terá uma de suas maiores equipes de natação no mundial de Roma que acontece em Julho deste ano; serão 27 atletas, sendo 17 homens e 10 mulheres. É a maior equipe desde Barcelona 2003.
Em Melbourne 2007 o Brasil levou 15 atletas, ou seja, a equipe de 2009 teve um crescimento de 80% em relação a de 2007.
Isto serve para mostrar que há vida após as Olimpíadas. Quase um ano após os Jogos de Pequim, nossa natação dá sinais de que continua vivendo um ótimo momento. A equipe conta com um campeão olímpico, um recordista mundial e 13 atletas que hoje estão entre os dez melhores do mundo no ranking mundial de 2009.
Vi nesta conquista uma grande oportunidade para dar mais visibilidade à natação e aos principais atletas deste esporte no país. A CBDA tem como patrocinadores os Correios (desde 1991), a Gol e a Water Planet, mas até agora nenhum sinal de que veremos uma nova campanha, uma ação na internet ou coisa parecida.
Andei pensando esses dias e acho que temos um problema de continuidade, ou seja, não conseguimos sustentar nosso momento. Não é só o fato de depender do surgimento de atletas fora de série - isso todos já sabem - o buraco é mais embaixo. Não temos um planejamento com foco no longo prazo; extraímos o máximo destes momentos e depois ficamos na dependência de que algo grandioso aconteça novamente.
De novo, vejo neste momento da natação brasileira uma grande oportunidade para patrocinadores, atletas e a própria modalidade. Sustentar o envolvimento até o mundial de Roma para, quem sabe, depois da competição amplificar isso ainda mais.
O Bruno já postou sobre o assunto algumas vezes aqui no Radar, só que no contexto do futebol. Quando um clube pequeno do interior tem uma partida com um time de projeção nacional, como acontece na Copa do Brasil, eles fazem de tudo para se capitalizar. Estampar várias logomarcas no uniforme talvez não seja a melhor estratégia, mas o fato é que eles se movimentam.
Na natação, que tem uma temporada de competições diferente do que estamos acostumados, é fundamental trabalhar algumas ações pontuais (com estratégia, claro) em momentos como esse, pois só assim será possível construir uma modalidade forte no futuro.
12 de maio de 2009
Ronaldo fecha com SBT
Ronaldo, um dos maiores responsáveis pelo crescimento nos índices de audiência do futebol da Globo - mais especificamente do Paulistão - acaba de assinar um contrato com o SBT de Silvio Santos.
Ronaldo será o garoto propaganda da emissora até o final do Campeonato Brasileiro, que termina em Dezembro. Além de anúncios em jornais e revistas, Ronaldo irá participar de dois comerciais institucionais com os principais apresentadores da casa.
A campanha que está sendo desenvolvida pela Talent terá abrangência nacional e tem como objetivo mostrar que o SBT está se reinventando e subindo no Ibope.
É claro que a contratação de Ronaldo causou um certo desconforto na Globo, mas parece que não foi só lá que isso aconteceu. No SBT, o acordo com o Fenômeno também gerou uma certa resistência por parte de alguns diretores do Grupo Silvio Santos que não queriam qualquer tipo de conflito com a emissora carioca. Como já é sabido, a idéia inicial de Daniela Beyrutti, filha de Silvio Santos e responsável por costurar o acordo, era estampar a logomarca do SBT na camiseta do Corinthians, mas, de novo, para não criar problemas com a Globo, o grupo optou por outras marcas.
Vai ser interessante observar como essa história vai se desenrolar. Primeiro porque apesar do desconforto gerado na Globo, parece que desta vez a emissora não pode fazer muita coisa, haja vista a força do jogador e sua importância para o crescimento da audiência do futebol na emissora. Segundo porque Ronaldo começa a aparecer com um número crescente marcas, e por isso vai ser fundamental que se desenvolva caminhos criativos diferenciados e relevantes para que a comunicação não passe batida - tanto pelo lado de Ronaldo como do patrocinador