No último troféu Maria Lenk, os nadadores brasileiros conquistaram um feito: o Brasil terá uma de suas maiores equipes de natação no mundial de Roma que acontece em Julho deste ano; serão 27 atletas, sendo 17 homens e 10 mulheres. É a maior equipe desde Barcelona 2003.
Em Melbourne 2007 o Brasil levou 15 atletas, ou seja, a equipe de 2009 teve um crescimento de 80% em relação a de 2007.
Isto serve para mostrar que há vida após as Olimpíadas. Quase um ano após os Jogos de Pequim, nossa natação dá sinais de que continua vivendo um ótimo momento. A equipe conta com um campeão olímpico, um recordista mundial e 13 atletas que hoje estão entre os dez melhores do mundo no ranking mundial de 2009.
Vi nesta conquista uma grande oportunidade para dar mais visibilidade à natação e aos principais atletas deste esporte no país. A CBDA tem como patrocinadores os Correios (desde 1991), a Gol e a Water Planet, mas até agora nenhum sinal de que veremos uma nova campanha, uma ação na internet ou coisa parecida.
Andei pensando esses dias e acho que temos um problema de continuidade, ou seja, não conseguimos sustentar nosso momento. Não é só o fato de depender do surgimento de atletas fora de série - isso todos já sabem - o buraco é mais embaixo. Não temos um planejamento com foco no longo prazo; extraímos o máximo destes momentos e depois ficamos na dependência de que algo grandioso aconteça novamente.
De novo, vejo neste momento da natação brasileira uma grande oportunidade para patrocinadores, atletas e a própria modalidade. Sustentar o envolvimento até o mundial de Roma para, quem sabe, depois da competição amplificar isso ainda mais.
O Bruno já postou sobre o assunto algumas vezes aqui no Radar, só que no contexto do futebol. Quando um clube pequeno do interior tem uma partida com um time de projeção nacional, como acontece na Copa do Brasil, eles fazem de tudo para se capitalizar. Estampar várias logomarcas no uniforme talvez não seja a melhor estratégia, mas o fato é que eles se movimentam.
Na natação, que tem uma temporada de competições diferente do que estamos acostumados, é fundamental trabalhar algumas ações pontuais (com estratégia, claro) em momentos como esse, pois só assim será possível construir uma modalidade forte no futuro.
15 de maio de 2009
Oportunidade: Natação Brasileira
19 de maio de 2008
Anúncio de Oportunidade?
A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos - CBDA - assinou hoje um contrato com a Gol Linhas Aéreas Inteligentes. O acordo, que não teve valores divulgados, terá duração de um ano e irá garantir passagens aéreas nacionais para os eventos dos cinco esportes olímpicos da CBDA – natação, pólo aquático, saltos ornamentais, nado sincronizado e maratonas aquáticas.
"O contrato com a Gol nos dará a oportunidade de realizar clínicas (cursos) para atletas de todo o país com os maiores especialistas das modalidades e nossos grandes ex-atletas. Já temos um projeto para trazer nadadores de talento olímpico, de todas as categorias, para um período de aprendizado e treinamento no Parque Aquático Maria Lenk, com acesso a alta tecnologia nos esportes aquáticos" – informou Coaracy Nunes Filho, presidente da CBDA.
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Eu já vejo de outra forma. A equipe de natação brasileira é uma das grandes expectativas de medalhas nos Jogos de Pequim, e, no caso do novo patrocinador, esta é uma grande chance de associar sua marca a imagem de atletas vitoriosos quando estes voltarem com suas medalhas.
Toda a importância que o Coaracy deu ao acordo cai por terra quando vemos a duração do contrato - um ano. Permitir que os atletas da CBDA viajem de graça para as competições é de grande ajuda - ainda mais em um país de dimensões continentais como o nosso - e irá viabilizar as clínicas citadas pelo presidente, mas por um ano apenas. Será que um ano só basta?
Ou seja, você começa a desenvolver um projeto de realização de clínicas (fundamental), fornecimento de melhores condições para os atletas e, coincidentemente, um ano após as Olimpíadas tudo isto acaba? De que adianta? Não sou contra o apoio da Gol de maneira alguma, só fico me questionando porque continuamos 'investindo' no esporte no curto prazo. Quando veremos mais casos como o do Banco do Brasil no vôlei e do próprio Correios na natação? Este tipo de investimento, sim, traz retorno para o esporte, para o patrocinador e para os atletas. Só para se ter uma idéia, o Correios já está com a CBDA há mais de 15 anos e investe R$ 8 milhões anuais no esporte.
Mas não tem problema, um ano antes das Olimpíadas de Londres os apoios voltam, os patrocínios brotam e os anúncios de página dupla também. E todo mundo vai achar que está tudo bem...