
O homem mais rápido do mundo dentro das águas. É assim que César Cielo deixa Roma, depois de ganhar o ouro nos 50m e 100m com direito a um recorde mundial (nos 100m livres) e se colocar de vez na história do esporte.
Apenas Cielo e Popov foram capazes de ganhar os 50 metros em Olimpíadas e Mundiais. E Cielo é o terceiro a ganhar os 50 e os 100 metros livre em um mesmo mundial. O norte-americano Antony Erwinge e Popov foram os outros dois a obter esse feito.
O brasileiro voou na piscina do Foro Itálico e foi citado como fantástico até pelo norte-americano Phelps. Em sua entrevista após a conquista dos 100m fez questão de agradecer o presidente do Pinheiros pelo apoio, dinheiro investido e aos Correios por acreditar num projeto a longo prazo.
Quem olha de fora imagina um atleta supervalorizado pelos patrocinadores, que não encontra dificuldades no esporte a não ser o esforço nos duros treinamentos. Mas não, Cielo é o maior do mundo em sua prova e mesmo assim não é auto-suficiente.
O brasileiro ainda tem que contar com o “pai-trocínio” para arcar com o alto valor investido nos treinamentos nos Estados Unidos e com o técnico que é considerado o melhor do mundo, apesar de que muita coisa mudou após a conquista do ouro em Pequim no ano passado. Uma vergonha para o esporte nacional, afinal se com ele é assim, podemos imaginar como estão os demais talentos brasileiros que ainda estão sendo lapidados.
Claro que não podemos deixar de valorizar o Pinheiros e os Correios, mas ainda é muito pouco perto do novo tamanho que a natação adquiriu no mundo. Provavelmente depois do mundial, muitas empresas entrarão em contato para tirar uma lasquinha do sucesso do brasileiro, mas mais do que apoio, o que iremos ver provavelmente é o oportunismo.
É necessário um planejamento consistente e uma estratégia clara para garantir o desenvolvimento dos atletas e da natação como um todo, para que o Brasil possa se firmar no topo daqui pra frente. A estratégia de Cielo já mostrou seus resultados e Thiago Pereira será o próximo a ir treinar nos Estados Unidos com alguns dos principais nomes da natação atualmente como Kosuke Kitajima e o coreno Park. Cada vez mais este intercâmbio entre atletas, técnicos, preparadores físicos, que está muito mais fácil nos dias de hoje, será cada vez mais importante para os resultados dos atletas individualmente. Sendo assim, é fundamental que mais nadadores brasileiros de elite possam ter essa oportunidade, mas, de novo, para isso é necessário investimento e planejamento.
E tão importante quanto investir nos atletas já estabelecidos, é investir no trabalho de base. Há pouco menos de 10 anos, havia um número muito maior de torneios para os jovens nadadores, estimulando a competição, o desenvolvimento e o surgimento de novos atletas. Também é preciso que isto volte... Quem sabe agora após as conquistas de Cielo, que sempre acabam motivando a garotada?
Não podemos nos esquecer que há mais de 10 anos o Brasil não tinha um desempenho tão bom em Mundial, e mesmo assim não podemos desconsiderar o fato de que as medalhas conquistadas em Roma ainda estão concentradas em poucos atletas.
Já estamos cansados de saber que temos potencial; no entanto, ainda falta apoio para sermos uma potencia.Está na hora de inverter este jogo e nunca mais deixar o Brasil passar por um jejum de medalhas tão longo.
Postado por Bruno e Dida
3 de agosto de 2009
Ave, César!
19 de maio de 2008
Anúncio de Oportunidade?
A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos - CBDA - assinou hoje um contrato com a Gol Linhas Aéreas Inteligentes. O acordo, que não teve valores divulgados, terá duração de um ano e irá garantir passagens aéreas nacionais para os eventos dos cinco esportes olímpicos da CBDA – natação, pólo aquático, saltos ornamentais, nado sincronizado e maratonas aquáticas.
"O contrato com a Gol nos dará a oportunidade de realizar clínicas (cursos) para atletas de todo o país com os maiores especialistas das modalidades e nossos grandes ex-atletas. Já temos um projeto para trazer nadadores de talento olímpico, de todas as categorias, para um período de aprendizado e treinamento no Parque Aquático Maria Lenk, com acesso a alta tecnologia nos esportes aquáticos" – informou Coaracy Nunes Filho, presidente da CBDA.
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Eu já vejo de outra forma. A equipe de natação brasileira é uma das grandes expectativas de medalhas nos Jogos de Pequim, e, no caso do novo patrocinador, esta é uma grande chance de associar sua marca a imagem de atletas vitoriosos quando estes voltarem com suas medalhas.
Toda a importância que o Coaracy deu ao acordo cai por terra quando vemos a duração do contrato - um ano. Permitir que os atletas da CBDA viajem de graça para as competições é de grande ajuda - ainda mais em um país de dimensões continentais como o nosso - e irá viabilizar as clínicas citadas pelo presidente, mas por um ano apenas. Será que um ano só basta?
Ou seja, você começa a desenvolver um projeto de realização de clínicas (fundamental), fornecimento de melhores condições para os atletas e, coincidentemente, um ano após as Olimpíadas tudo isto acaba? De que adianta? Não sou contra o apoio da Gol de maneira alguma, só fico me questionando porque continuamos 'investindo' no esporte no curto prazo. Quando veremos mais casos como o do Banco do Brasil no vôlei e do próprio Correios na natação? Este tipo de investimento, sim, traz retorno para o esporte, para o patrocinador e para os atletas. Só para se ter uma idéia, o Correios já está com a CBDA há mais de 15 anos e investe R$ 8 milhões anuais no esporte.
Mas não tem problema, um ano antes das Olimpíadas de Londres os apoios voltam, os patrocínios brotam e os anúncios de página dupla também. E todo mundo vai achar que está tudo bem...