18 de janeiro de 2010

Tiger Woods, o atleta.

"Veja essa celeuma em torno das infidelidades conjugais de Tiger Woods. Ele é um jogador de golfe; não é um pastor de igreja, nunca andou por aí pregando como os outros deveriam ou não agir. Ser um negro de sucesso então o torna automaticamente um modelo de comportamento e autoriza qualquer um a julgar suas atitudes? Creio que está errado."

Morgan Freeman para as Páginas Amarelas - Veja.

O assunto não é nem um pouco novo, mas gostaria de abrir um espaço para pensar com esta última declaração de Morgan Freeman.

Depois que os casos de infidelidade Tiger Woods foram escancarados pela mídia mundial, o primeiro atleta a atingir a marca de 1 bilhão de dólares, e um dos melhores jogadores de golfe de todos os tempos, viu alguns de seus patrocinadores simplesmente desaparecerem após os "escândalos".

O fato é que atletas que representam a modalidade (pelo menos para uma geração),ou se tornam "maiores" que ela acabam, sim, se tornando um modelo de comportamento para a maioria das pessoas. No entanto, concordo com Morgan Freeman quando este diz que isso não nos autoriza a julgá-los.

São pessoas públicas, é claro, mas eu pelo menos estou interessado no que o Tiger Woods e outros atletas me inspiram dentro de seus esportes. Mas, de novo, isso é só minha opinião...

Problemas "extra-quadra" não são novidade pra ninguém. Michael Phelps, o Imperador Adriano, Ronaldo Fenômeno e o próprio Michael Jordan não me deixam mentir, mas acho que cada caso deve ser muito bem ponderado antes de se tomar algumas decisões um tanto quanto drásticas.

O que não faltaram foram números mostrando a desvalorização, na bolsa de valores, das empresas que patrocinavam Tiger Woods nos dias que seguiram a exposição dos casos pela mídia. Entendo a questão financeira por parte das empresas, mas acho que em qualquer setor nós temos que procurar humanizar um pouco mais as decisões.

Eu e o Bruno já escrevemos aqui algumas vezes sobre isso: O que será que vale mais no fim do dia? Romper o contrato com uma das lendas do esporte ou permanecer fiel ao atleta, apoiando a tal "volta por cima" e, quem sabe (?), tirar proveito disso no futuro.

2 comentários:

Bruno Scartozzoni disse...

Dida, vou fugir um pouco do assunto, mas é uma resposta bastante consciente ok?

Um dos princípios básicos de contar histórias é a necessidade do conflito. O herói contra o vilão, que pode ser uma pessoa, o tempo, uma situação etc.

Se o herói fosse perfeito, esse conflito não existia, portanto aí está a necessidade da fraqueza. Se até o Super-Homem tem a sua (kriptonia), porque não o Tiger Woods?

O que eu quero dizer é que toda marca quando faz um investimento em marketing, de uma forma ou de outra está contando uma história para as pessoas. Ou acha que está, justamente porque pensam que é possível contar uma história com um herói perfeito, portanto sem conflitos.

Tente ver um filme assim e você não aguenta duas horas no cinema. Porque será que as pessoas não aguentam mais comerciais?

Com toda a gordura e travestis do mundo, felizes são as marcas que apostaram num cara como o Ronaldo Fenômeno, um super-homem cheio de kriptonitas, e portanto humano o suficiente para praticamente qualquer um se identificar.

Dida disse...

Bruno, acho que vc não fugiu nem um pouco do assunto.
Na verdade, compartilho a mesma visão. É no mínimo hipócrita querer enxergar estes heróis como seres perfeitos.
O fato é que o esporte está cheio de histórias com dois tipos de "final". Há aquelas que decidem ficar com o "herói" até o fim e outras que simplesmente o esquecem. Eu tendo a ficar do lado daquelas que apostam mesmo após as quedas.
Abraço!!