O assunto não é novo, mas sempre volta à tona em época de Jogos Olímpicos.
A delegação brasileira deveria ter um único fornecedor de uniformes para a competição ou não?
As opiniões são diversas. Alguns são a favor do fornecedor único e outros afirmam que cada federação deveria ir para as Olimpíadas com o respectivo patrocinador. Os motivos para cada uma das opções são diversos, mas nesta edição dos Jogos vi uma solução que poderia ser facilmente aplicada ao Brasil, na minha opinião.
Ao invés de obrigar todas as modalidades a utilizarem uniformes Olympikus, com exceção, por exemplo, do futebol e da natação; o COB poderia permitir que os atletas utilizassem uniformes de seus respectivos patrocinadores no momento da competição e, no restante do tempo, vestimentas produzidas pela Olympikus.
Pode parecer estranho, mas isso tem sido muito comum nos Jogos deste ano.
O tenista espanhol, Rafael Nadal, utiliza Nike durante as partidas, mas quando foi receber a medalha de Ouro, o atleta subiu ao pódio utilizando uma jaqueta da Li-Ning, patrocinadora da delegação espanhola. O mesmo acontece com Phelps. O nadador cai na piscina com maiô Speedo, mas em todas as vezes que subiu ao pódio, estava utilizando Nike, patrocinadora da delegação norte americana. Estes são apenas dois exemplos, mas que, pela visibilidade dos atletas, já é o suficiente para termos como referência.
Com este esquema, o patrocinador de determinado atleta (ou modalidade) consegue sua visibilidade, e a Olympikus, aparece como marca que apóia o todo o COB.
Tudo bem que o jogo político que permeia a disputa entre as marcas não é tão simples assim, mas se vemos isso acontecer com grandes atletas e seleções, por que não podemos tomar como referência?
17 de agosto de 2008
Uma solução simples.
14 de agosto de 2008
Eterno obrigado
O nadador americano Michael Phelps é o atleta que mais fatura com acordos publicitários na sua modalidade, U$ 5 milhões. Valor este dez vezes maior do que qualquer outro nadador de elite no mundo.
E o retorno para a Speedo, sua principal patrocinadora, também não é nada baixo.
Segundo dados da Joyce Julius & Associates, o tempo que Phelps ficou exposto na rede americana NBC equivale a aproxidamente U$3,6 milhões. É óbvio afirmar isso, mas o valor deve ser bem maior, uma vez que ainda temos as mídias impressas, online e televisores de todos os cantos do mundo. Afinal, só se fala em Phelps e sua saga pelo recorde de medalhas de ouro conquistadas em uma edição dos Jogos Olímpicos.
Segundo a própria Speedo, o grande trunfo desta visibilidade é que Michael Phelps está fazendo com que a marca transcenda os limites da natação, atingindo um público jovem que vai além dos nadadores de elite.
E este, com certeza, é um objetivo da marca, que vem investindo em outros segmentos que não o da natação. Hoje, suas lojas já vendem produtos de moda, relógios, chinelos, acessórios etc.
Mesmo assim, sempre foi difícil se desgarrar da percepção de que a marca era exclusiva da natação. Essa visibilidade do atleta impulsiona a marca e estimula as pessoas a conhecê-la melhor.
Boato ou não, a informação que corre é que a Speedo ofereceu U$ 1 milhão à Michal Phelps caso o recorde de Mark Spitz, de sete medalhas de ouro conquistadas nas mesmas Olimpíadas, seja batido. E aí, podem esperar, vai ser Phelps em todos os cantos.
E se isso acontecer, a marca vai ser eternamente grata a Phelps.
13 de agosto de 2008
Camisas da NBA. Um negócio da China.
Recentemente comentei sobre a mudança de mentalidade na seleção norte-americana de basquete e também falei sobre o projeto criado pela Nike para promover este time que tem como objetivo reafirmar a hegemonia no esporte durante as Olimpíadas deste ano - clique aqui e aqui para ler os posts.
Hoje saiu no Meio & Mensagem uma matéria que fala sobre a venda de camisas da NBA na China. Ao contrário do que se esperava, a camiseta mais vendida no país não é a do astro chinês Yao Ming, e sim de Kobe Bryant, um dos grandes jogadores da seleção americana.
Depois de Kobe Bryant, as camisetas de atletas da NBA mais vendidas no país são de Kevin Garnett (Boston Celtics), Tracy McGrady (Houston Rockets), Paul Pierce (Boston Celtics), Allen Iverson (Denver Nuggets), Gilbert Arenas (Washington Wizards), Lebron James (Cleveland Cavalliers), Dwyane Wade (Miami Heat), Dwight Howard (Orlando Magic) e, finalmente, Yao Ming.
Dessa lista, quatro estão na seleção dos EUA e três deles são atletas Nike - Kobe Bryant, Lebron James e Dwyane Wade -; apenas Dwight Howard é Adidas. Segundo dados da própria matéria do M&M, as vendas estão 70% acima do esperado.
Além da mudança de mentalidade para retomar o domínio absoluto na modalidade, é óbvio que o basquete está se mostrando um verdadeiro negócio da China para os patrocinadores. Ou você acha que eles também não ajudaram a levar estes jogadores para os Jogos?
12 de agosto de 2008
As Olimpíadas e a internet.
A NBC, que detém os direitos de transmissão das Olimpíadas, também está realizando a transmissão via internet. E já bateu o seu primeiro recorde.
Mesmo depois de atrasar por 12 horas a publicação da cerimônia de abertura em seu site, o que gerou uma série de reclamações, a NBC atingiu a marca de 70 milhões de page views na sexta-feira; o maior de todos os tempos do site.
Para se ter uma idéia, em 2004, nos Jogos de Atenas, a média foi de 25,4 milhões de visitantes na primeira noite, e em Sydney, em 2000, o número chegou a 27,3 milhões.
Estes números são bem interessantes, pois mais uma vez mostram como a internet definitivamente se tornou um meio de massa, e isso não é só no Brasil. Assim como já vem acontecendo em outros setores, a internet deve ter um papel cada vez mais importante no cenário esportivo.
Imaginem o seguinte, aqui no Brasil a Globo tem os direitos de transmissão, mas basicamente transmite apenas os brasileiros que estão em ação. Mesmo com as transmissões ocorrendo em plena madrugada, a audiência triplicou para o horário. Isso, repito, transmitindo basicamente os brazucas.
A Tv por assinatura, que tem cerca de 5 milhões de assinantes espalhados pelo país, e que transmite a maior parte dos eventos (criando até mais canais para isso), acaba disponibilizando este contato com esporte para uma parcela muito pequena da população.
Eu vejo a internet desempenhando um papel fundamental no cenário esportivo nacional. Com aproximadamente 50 milhões de usuários, a internet pode ser o principal ponto na difusão do esporte. Como queremos ser uma potência olímpica se nos limitamos a transmissões de futebol e um ou outro esporte quando a Globo resolve transmitir? Eles compram a maioria dos direitos de transmissão, mas está tudo no SporTv. A programação não possui muitas brechas para alterações, e aí fica complicado mesmo encaixar mais coisas...
A internet vai na contramão de tudo isso. O conteúdo está lá para quem quiser ver. E é por isso que a iniciativa do Terra em mobilizar uma enorme estrutura para a transmissão das Olimpíadas algo louvável. Talvez eles nem sintam o efeito agora, mas alguém precisava se apropriar deste território, que é tão rico e com um enorme potencial aqui no Brasil.
Se queremos ser um país forte mundialmente no esporte, as pessoas precisam conhecer as diversas modalidades que existem. É preciso entrar em contato com elas, conhecer novos ídolos - criando identificação e sabendo que, de repente, seu biotipo físico pode ser compatível com determinada modalidade -, acompanhar resultados de campeonatos, criar redes de relacionamentos entre clubes, técnicos e atletas etc. É um ciclo virtuoso: isso vai trazendo visibilidade para os esportes, atrai patrocínios etc. E aí, a roda não vai parar de girar.
A internet definitivamente não é algo novo, mas ainda estamos aprendendo como tirar o melhor com ela. Esse é o momento para pensarmos em novas formas de fazer o nosso esporte crescer.
11 de agosto de 2008
Guerra na camisa
Como já era esperado, os uniformes das seleções de futebol do Brasil seriam motivo de confusão. E foram.
Mais do que o fato dos dois times usarem um fornecedor diferente do material do restante da delegação do COB, o motivo de tanta confusão foi o escudo da CBF no lugar da bandeira nacional.
Todos já sabiam do possível impasse que poderíamos ter, mas nada foi feito antes, o que gerou correria de todas as partes.
A Olympikus colocou seu ateliê em Pequim para eventuais necessidades, mas a Nike disse que iria providenciar os uniformes.
A queda de braço não durou muito tempo, o escudo da CBF foi retirado dos uniformes e desta forma os jogadores estão representando a Nike, já que o uniforme não contém nenhuma identificação do país.
Fora das quatro linhas, os jogadores e comissão técnica circulam com o uniforme da delegação do COB, da Olympikus.
Bom para Nike? Talvez. O fato é que não podemos conviver com estes erros no maior evento esportivo do mundo.
8 de agosto de 2008
Conspiração Li-Ning?
Hoje aconteceu a cerimônia de abertura das Olimpíadas. E para a maior e mais cara edição de todos os tempos dos Jogos, nada mais coerente do que uma cerimônia à altura do status que adquiriu o evento durante todo este período.
A China é grande em tudo o que faz e isso se refletiu na apresentação de abertura. Milhares de pessoas (nas arquibancadas e na própria apresentação), muita tecnologia, muita beleza, muitos fogos, muito tudo. Um verdadeiro espetáculo e que deve ficar na nossa memória por muito tempo.
Depois de tanto comentar sobre a disputa entre marcas como Nike e Adidas nestas Olimpíadas, quem acabou chamando a atenção durante a abertura não foi nenhuma das duas. Durante um dos momentos mais importantes da cerimônia, se não o mais importante, a hora em que a pira olímpica é acesa, Li-Ning apareceu.
O ginasta e medalhista chinês Li Ning, e que é um dos maiores nomes de todos os tempos do esporte na China, acendeu a pira. E, para quem não sabe, Li-Ning também é o nome da maior marca de segmento esportivo no país. Além de ter grande força entre o povo chinês, a marca goza de um apoio por parte do governo.
Uma idéia maluca? Talvez.
Mas não duvido que o governo chinês tenha dado mais um empurrão para a marca, que tem a ambiciosa meta de se transformar a maior do segmento no mundo. E, para isso, nada melhor do que aparecer na cerimônia das Olimpíadas que estão sendo acompanhadas por 4 bilhões de pessoas espalhadas pelo mundo.
Fica a discussão.
Pra quem não conseguiu assistir ao momento em que a pira foi acesa, clique aqui.
7 de agosto de 2008
Oakley.com.uk
A marca de esportes Oakley, acaba de lançar o portal Oakley.com.uk, que traz notícias sobre eventos e um blog escrito por seis atletas britânicos de esportes radicais, que também são as estrelas da campanha de marketing da marca.
A equipe formada pelo motociclista Kye Forte, pelo wakeboarder Ben Hitch, pelo surfista Oli Scott Adams e pelos snowboarders McMorris, Tyler Chorlton e Vicci Miller estará encarregada de atualizar a página ao longo do ano, com diários de viagens e fatos de seus dias.
Para interagir com os atletas, o a página traz competições personalizadas e outras ferramentas, além de matérias da campanha que foi filmada na África do Sul e na Áustria. Claro, não poderia de faltar uma vitrine online com os produtos da marca.
A excelente iniciativa da marca, coloca os consumidores em contato com seus ídolos, em um mundo cheio mistérios dos profissionais destes esportes, desvendando o que é, muitas vezes, desconhecido e inacessível para os consumidores.
Para completar a ação, foi criada uma campanha online no MySpace, YouTube entre outros sites.
Como sempre falamos das marcas que patrocinam atletas e não sabem utilizar a imagem das estrelas, a Oakley conseguiu com seu portal aproveitar o valor investido e criar um canal muito interessante com o consumidor.
6 de agosto de 2008
Road to Redemption | Nike
Comentei recentemente sobre a declaração de Carmelo Anthony, onde ele defendia a participação dos atletas em suas respectivas seleções, e sobre a mudança na forma como os jogadores da NBA vêem a participação em competições como as Olimpíadas e campeonatos mundiais.
Depois de amargar o bronze em Atenas-2004 e no Mundial-2006, os EUA não querem deixar passar a chance de se reerguer nas Olimpíadas deste ano, que será a maior até agora. É a chance de mostrar ao mundo que a seleção dos EUA ainda pode ser considerada um verdadeiro Dream Team.
A mobilização em torno desta equipe é tanta que a Nike não podia deixar de aproveitar o momento.
A ESPN2 (EUA) está veiculando uma série chamada "Road to Redemption by Nike" (Rumo à Redenção) com 5 episódios, para mostrar o compromisso do time com a vitória e com o país que defendem.
Vocês podem conferi-lo através do site Nikebasketball.com.
Além disso, ontem, ao final do quarto episódio, a Nike veiculou um comercial que combina cenas da atual seleção norte-americana e do músico Mavin Gaye durante o All Star Game de 1983 em Los Angeles.
Criação da Wieden+Kennedy de Portland.
Além desta versão de 2 minutos e meio, irão ao ar nos Estados Unidos, à partir do dia 8 de Agosto, duas versões de 60 e 30 segundos deste comercial.
Ainda não tive tempo de conferir a série toda, mas parece que vale a pena.
O que eu mais gosto neste tipo de ação, e que até temos visto alguns clubes de futebol realizarem aqui no Brasil como o Santos e o Corinthians, é criar todo o envolvimento por parte da torcida em um momento de dificuldade. Mas eles foram além e usaram diversas ferramentas para construir essa participação - internet, TV (comerciais e conteúdo).
Não tenho dúvidas que, se a seleção americana conquistar o Ouro, teremos um material muito bacana criado pela Nike para celebrar este momento.
Sempre Coca-Cola
A gigante dos refrigerantes que é patrocinadora do evento desde 1928 acaba de lançar duas ações envolvendo sua garrafa no embalo das Olimpíadas.
Em uma ação global, a empresa lançou o “We8”, um projeto que convida 8 designers do oriente e 8 músicos do ocidente para traduzirem através de músicas e representações um dos oito pilares que compõe o “Lado Coca-Cola da vida”.

Já no Rio de Janeiro e em São Paulo, durante o período das Olimpíadas, em algumas lojas de conveniência da rede Esso, o consumidor que comprar uma garrafa de 600ml poderá personalizá-la gratuitamente.Remetendo aos jogos, o grafismo em chinês tem a legenda “felicidade deliciosa”.
A Coca-Cola comemora em 2008, 80 anos de parceria com os jogos, possuindo os direitos exclusivos de patrocínio na categoria “bebidas não-alcoólicas” e tem contrato até 2020. Está aí uma empresa que sabe usufruir, e bem, do investimento que faz com o patrocínio do evento.
Obrigado Leandro Otsuka pela dica!
4 de agosto de 2008
A maior torcida do Brasil agora no YouTube.
Na última sexta-feira, o Flamengo anunciou sua parceria com o Google. O time será o primeiro no Brasil a ter um canal oficial no YouTube - o que já é uma realidade entre os times europeus.
O site youtube.com.br/flamengo permitirá aos torcedores do Clube enviar e assistir qualquer vídeo relacionado ao Rubro Negro. Além dos vídeos criados e enviados pelos próprios torcedores, o canal contará também com filmes oficiais do Flamengo e trechos da Fla TV.
A iniciativa é altamente válidade já que, através do canal, o clube poderá estreitar sua relação com os torcedores do clube e, mais do que isso, projeta o Flamengo em nível mundial, já que está no maior portal de vídeos do mundo.
Como já comentamos outras vezes, vemos cada vez mais os clubes estruturando seus departamentos de marketing, desenvolvendo ações parecidas ao que já acontece na Europa etc. Isto é fundamental para o nosso futebol, no entanto, não podemos nos esquecer de ações estruturais, que mexam de forma mais radical nos clubes. Aqui não falo no caso do Flamengo em específico, e sim de todos os clubes brasileiros. Não podemos criar apenas ações de relacionamento, projetos de comunicação e esquecer do resto.