31 de agosto de 2008

Consumidores em extinção.

Os clubes buscam cada vez mais se tornarem grandes empresas. Mas existem coisas que nem a empresa mais bem sucedida tem, que os clubes tem: os torcedores.

Torcedores são os consumidores que qualquer empresa sonha. São fiéis, não são afetados pela concorrência, não ligam no SAC para reclamar, e, acima de tudo são apaixonados pela empresa.

A ligação entre as duas partes é inexplicável, vai além de qualquer pensamento racional e ultrapassa jogos e campeonatos.

Pensando nisso, alguns clubes aproveitam este elo e exploram a paixão dos torcedores para trazer dinheiro para os cofres. Alguns de forma mais discreta, com projetos de “sócio-torcedor” e outros escancaram, como foi o caso do Corinthians na época da contratação do Marcelinho Carioca que tinha um “0900” para arrecadar dinheiro.

Uma nova ação que está sendo comentada é mais uma vez do alvi-negro paulista. Com o objetivo de arrecadar dinheiro para formar uma grande equipe em 2009, para conquistar uma vaga na Libertadores de 2010 (centenário do clube), o Corinthians quer vender espaço na sua camisa para os torcedores.

Por R$1.000,00, o torcedor poderá colocar uma foto 3x4 na camisa que será usada na última partida da Série B. Após a partida, o apaixonado receberia a camiseta em casa com sua foto estampada. Com 400 espaços para fotos em cada camiseta, o clube arrecadaria, no mínimo, a quantia de R$ 4,4 milhões.

Não tenho dúvida que muitos fanáticos e endinherados corintianos irão adorar a ação, porém vale alguns comentários. Achei a ação extremamente criativa. Uma ótima forma de arrecadar dinheiro e oferecer algo em troca para este consumidor tão fiel, mas acredito que o preço poderia ser diferente. Claro, que o valor é uma forma de restringir e dar exclusividade para os torcedores, além de aumentar a quantia arrecada, porém acho muito alto tendo em vista o que os torcedores já fazem e enchem os cofres.

Enquanto as empresas procuram cada vez mais por este tipo de consumidor, os clubes procuram formas de utilizá-lo. Será que estão encontrando o caminho? Parece que sim...

27 de agosto de 2008

Mais Bolt. Mais Puma.

Assim como o Dida comentou, o jamaicano Usain Bolt chamou atenção nos jogos e colocou a Puma nas capas de todos os jornais do mundo.

O homem mais rápido do planeta, que agora irá estampar inúmeros anúncios e ações da marca, desafia você para uma corrida nos 100 metros rasos. É o You vs. Bolt. Um game online no próprio site da Puma, onde seu objetivo é correr os 100 metros mais rápido que o campeão olímpico.
No game, você é representado por uma mão com uma munhequeira da Puma e se move através de movimentos alternados nas setas do teclado. Quem não se lembra do jogo de Mega Drive, das Olimpíadas de 1992, onde você tinha que correr usando os botões “A” e “B” do controle?

Mais uma ação rápida da marca, que agora conta com um garoto-propaganda mais veloz do mundo.

Posicionando Londres 2012



Os Jogos Olímpicos de Pequim mal terminaram e já começaram as discussões sobre os Jogos de Londres 2012. Depois de um evento de encher os olhos, muitos perguntam se a capital inglesa será capaz de realizar um evento tão espetacular.

Para começar, o budget de Londres é de $ 17 bilhões, ou seja, bem inferior ao de Pequim, que foi de $ 44 bilhões. Só aí já dá pra perceber que não vai ser fácil proporcionar um evento tão parecido, pelo menos em termos de grandiosidade.

A Olimpíada de Pequim ficou conhecida como a maior de todos os tempos. A China é uma economia em franca ascensão, com uma das maiores populações do mundo e que vai se estabelecendo como uma das potências mais influentes do mundo atual. Se pararmos para pensar, os Jogos de Pequim apenas refletiram este novo status.

Mas, se Pequim 2008 refletiu toda esta questão econômica e política, também representou a repressão e a violência (de todos os tipos) existente no país. A cidade praticamente se blindou contra possíveis manifestações e deu continuidade à censura. Todos os noticiáris constataram: o clima de Jogos parecia estar somente nas arenas, porque, nas ruas, o controle por parte do governo chinês era forte.

Londres 2012 vai se posicionar de forma diferente.

A cidade quer uma atmosfera um pouco mais descontraída. A intenção é que a Olimpíada seja de fato um momento de celebração para todos. Eles querem ver as pessoas participando e brincando pelas ruas. Para isso, uma das medidas será colocar telões e vendedores de alimentos espalhados pela cidade, fazendo com que Londres 2012 seja realmente um evento social e que tenha vida além da Tv (e da internet).

Resumindo, o desafio de Londres é criar uma atmosfera de festa aliada a uma experiência esportiva incrível.

Tim Parr, que foi um dos representantes do Comitê Organizador de Londres em Pequim, disse: "Nem sempre as festas mais caras são as melhores".

É esperar pra ver.

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* Pensando nisso, alguém teria algum palpite para o posicionamento do Rio2016? =)

26 de agosto de 2008

Nem Nike, nem Adidas...

Recentemente postei sobre o desempenho da Nike nos Jogos Olímpicos. Segundo a empresa, foi a melhor edição de uma Olimpíada para a marca - para ler o post completo, clique aqui.

Bom, pelo menos isso é o que ela diz.

Pense nos principais nomes dos Jogos de Pequim. Quem lhe vem à cabeça?

Não tenho dúvidas de que entre os nomes que você pensou, figuram na lista Usain Bolt e Michael Phelps.



Não preciso me ater a detalhes de desempenho de cada um deles, mas posso resumir suas atuações de uma forma muito simples: ambos entraram para a história do esporte.

A questão é que nenhum deles é patrocinado pela Nike ou pela Adidas; marcas que travaram uma verdadeira batalha publicitária durante estes Jogos. Independentemente da estratégia adotada por cada uma, o fato é que ambas queriam a maior visibilidade. Patrocínio ao evento, ações de guerrilha, contratos milionários com grandes atletas e por aí vai.

Mas nem sempre mais quer dizer melhor.

Com as oito medalhas conquistadas e igual número de recordes quebrados, Michael Phelps teve uma cobertura gigantesca da mídia. E quem saiu ganhando? A Speedo, sua patrocinadora. Se a marca já estava em alta com a criação do seu super maiô, o LZR Racer, imaginem depois dos oito pódios de Phelps. Por não ser um forte player na natação, a Nike acabou ficando de fora...

E quanto a Usain Bolt? Bom, este foi ao pódio no lugar mais alto por três vezes. Medalha de ouro nos 100m e 200m rasos - sendo o primeiro atleta após Carl Lewis em 1984 a conquistar tal feito - e também no revezamento 4x100m.

E que garoto propaganda!
Após as vitórias, Bolt comemorou segurando suas sapatilhas douradas da Puma para que o mundo todo pudesse ver . Em uma hora foram vendidas milhões iguais àquela pelo mundo...

Novamente a Nike e a Adidas ficaram de fora. Mas dessa vez não foi porque a modalidade não era "especialidade", pelo contrário. As principais apostas delas - Asafa Powell, Liu Xiang (ambos Nike) e Tyson Gay (Adidas) - acabaram tendo problemas durante a competição.

Acredito, sim, que Nike e Adidas devem estar colhendo ótimos resultados com o final dos Jogos, mas o melhor da festa não ficou por conta deles, mas não mesmo...

25 de agosto de 2008

Ouro, prata, bronze e um exemplo

Como comentamos aqui no Radar Esporte antes dos jogos olímpicos, o vôlei brasileiro tinha tudo para ir bem e trazer medalhas para o país. A previsão não estava errada, já que a modalidade garantiu um ouro (vôlei de quadra feminino), duas pratas (vôlei de quadra e de praia masculino) e um bronze (vôlei masculino de praia).

Mais do que quatro medalhas, o esporte deu exemplo de planejamento, organização e profissionalismo.

A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), que tem na presidência Ary Graça Filho, - ex-jogador - conta com investimentos e com uma gestão profissional, sendo que é a primeira entidade esportiva do mundo a ter um certificado ISO 9000:2001, além de ter recebido o prêmio da Federação Internacional como a “Mais bem-sucedida Federação do mundo”. A CBV trabalha com unidades de negócios: Seleções, Voleibol de Praia, Competições Nacionais, Eventos, VivaVôlei (entidade de assistência social) e Aryzão - Centro de Desenvolvimento de Voleibol de Saquarema.

O Centro de Desenvolvimento de Voleibol de Saquarema é uma incubadora de resultados positivos. De acordo com o próprio site da confederação: “O objetivo principal do complexo é concentrar em um só local todas as instalações e equipamentos necessários para o treinamento de equipes esportivas, tendo em vista a formação, o desenvolvimento e a reciclagem de recursos humanos. O Centro de Desenvolvimento de Voleibol – Saquarema também tem como objetivo otimizar o programa de treinamento das seleções brasileiras em todas as suas categorias, promovendo uma maior integração entre as comissões técnicas e possibilitando uma maior interação entre os planejamentos.”

Não é à toa que a CBV conta com investidores fiéis:
Banco do Brasil: Patrocinador oficial das Seleções Brasileiras e do Circuito Banco do Brasil de Vôlei de Praia desde 1991.
Olympikus: Fornecedor oficial de material esportivo das Seleções Brasileiras desde 1997.
TAM: Patrocinadora da Superliga 2006/2007 e Liga Nacional 2006.
Penalty: Bola oficial da CBV (praia e indoor) e do VivaVôlei.
GATORADE: Patrocinadora da Liga Mundial até 2008, Superliga até 2008/2009 e do Campeonato Brasileiro de Vôlei de Praia até 2008.
Sportv: Transmissão dos jogos da SuperCopa e Grand Prix de Clubes até 2005 e da Superliga até 2007.

Contudo, o que fica aqui para refletirmos é: será que as medalhas olímpicas foram por acaso ou será que são resultados normais de tudo que vimos acima?

Acredito que potencial existe em todas as modalidades, só falta organização e planejamento como vemos no vôlei. Enquanto o basquete fica brigando por formar ligas sem o apoio da confederação, o vôlei coleciona medalhas nas Olimpíadas, lugar que os basqueteiros brasileiros não conhecem há um bom tempo. Infelizmente.

22 de agosto de 2008

Londres 2012 | Nike

No próximo domingo (24) será realizada a cerimônia de fechamento das Olimpíadas de Pequim onde será passado o bastão para a próxima cidade-sede, Londres.

Aproveitando-se deste momento, a Nike irá lançar uma campanha criada pela Wieden+Kennedy que mostra três jovens atletas patrocinados pela marca que são promessas de medalha para os próximos Jogos.


O que mais me chamou a atenção nestes anúncios, porém, não foi o fato da Nike se apropriar dos Jogos sem ser patrocinadora oficial do evento.

Esses anúncios não são estrelados por atletas conhecidos. São jovens atletas na faixa dos 17-20 anos com potencial de conquistas nas próximas Olimpíadas.

Pode parecer simples ou uma idéia comum (e talvez o seja), mas será que conseguiríamos nomear algumas promessas brasilerias para Londres 2012?

Aqui estamos falando apenas de uma campanha publicitária, mas isso pode ser expandido para outras reflexões. Imaginem a diferença de preparo entre este jovens em 2012. De um lado, atletas patrocinados por uma grande marca desde muito cedo e já contando com uma estrutura diferenciada; do outro, um cenário completamente diferente...

Os anúncios assinam com "I'll be ready" ("eu estarei pronto"). Mas e nós, será que estaremos prontos?

Para a Nike, valeu a pena!

Diversas vezes questionamos se realmente a Olimpíada era capaz de gerar um retorno para os seus patrocinadores oficiais e se este retorno era maior do que o das marcas que não patrocinam o evento, mas aproveitam o momento para realizar uma série de ações.

Ainda não temos uma resposta final para o assunto, mas a Nike, que não é patrocinadora oficial do evento, acredita que foi a melhor edição dos Jogos Olímpicos para ela, segundo seu o presidente de marca Charlie Denson.

Com certeza o desempenho de China e EUA contribuiu muito para isso - os dois países líderes em medalhas são patrocinados pela marca.

A Nike já atingiu a marca de U$ 1 bilhão na China, resultado atingido antes do tempo previsto, e está 30% à frente do seu competidor mais próximo. A marca já está presente no mercado chinês desde 1980. Conhecimento de mercado é o que não falta e, pelos resultados, me parece que a Nike tem conseguido criar uma identidade também com o público chinês.

Já sabemos que a Coca-Cola, uma das patrocinadoras oficiais do evento, foi altamente associada aos Jogos. Agora é esperar para ver como se saíram as outras.

Campeãs. No espírito. E na audiência.

Quem não torceu pelo futebol feminino na final das Olimpíadas contra os Estados Unidos? Quem não se comoveu o choro das meninas recebendo a medalha de prata?

Na manhã de ontem o mundo assistiu mais uma grande partida da seleção brasileira de futebol feminino. O time buscou o placar os 120 minutos e não desistiu nem um segundo. Perdemos, mas mais do que perder o ouro, elas conquistaram a prata e mostraram que nos jogos olímpicos há inúmeras formas de ser campeão além de ter a medalha de ouro.

A diferença entre o futebol masculino e feminino não está apenas no salário e no apoio. O futebol brasileiro ainda não tem um campeonato brasileiro feminino, não conta com incentivo dos clubes, tampouco de empresas interessadas em investir na modalidade e mesmo assim elas brilham com o uniforme amarelo mundo a fora.

A Rede Globo comprovou o interesse do público por isso através da audiência nos dois jogos desta semana. Enquanto a transmissão da derrota do masculino para a Argentina atingiu 20 pontos, a disputa pelo ouro das meninas atingiu 21. Cada ponto no Ibope equivale a cerca de 55,5 mil domicílios na Grande São Paulo.

É verdade que elas ficaram no “quase” de novo, mas acho que já passou da hora de investirem na modalidade aqui no país. Muitos sabem criticar e não reconhecem o esforço e talento deste time, mas é incrível o que elas estão conseguindo fazer. Para mim, já são campeãs.

E por falar em meninas, parabéns Maurren Maggi! Ela acaba de voar e trazer o ouro para gente!

20 de agosto de 2008

Motivo 1



Infelizmente as Olimpíadas estão chegando ao fim e, para mim, a sensação que fica é que, assim como os Jogos, o ciclo de discussões sobre o esporte brasileiro também vive um ciclo de 4 anos. É incrível, mas este assunto só ganha alguma força nestas épocas.

Mas, ao contrário das Olimpíadas, parece que nós não evoluímos a cada 4 anos. Aliás, parece que é bem o contrário.

E é partindo desse ciclo que eu vou postar hoje sobre o primeiro motivo pelo qual sou contra o Brasil receber os Jogos em 2016.

Como a maioria das pessoas do mundo comprovou este ano, as Olimpíadas definitivamente alteraram seu status. Os Jogos não devem mais ser os mesmos, definitivamente.

Foi a maior edição de uma Olimpíada. É óbvio que o fato da China, que é uma das maiores potências atualmente, sediar os jogos tem muito peso nisso, mas o país aumentou a responsabilidade das próximas cidades-sede. Parece que a China criou novos "itens de série" para elas.

Designers e arquitetos renomados foram chamados para criar estádios e arenas que são verdadeiras maravilhas arquitetônicas, a cidade repensou sua estrutura, mobilizou movimentos em torno de questões como a poluição, desenvolveu uma cerimônia de abertura memorável etc.

E, por mais que os Jogos da China não tenham sido perfeitos - principalmente pela questão dos direitos humanos, que muito se falou antes dos Jogos -, o fato é que os chineses elevaram o nível da coisa.

Será que estamos em condições de pelo menos manter o nível nestes itens? Me parece que não.

Nossas propostas para 2016 estão muito baseadas nos projetos do Pan 2007. Nos vangloriamos da nossa "super" estrutura criada no Rio de Janeiro, mas, na verdade, nem estamos nos esforçando para fazer melhor do que fizemos no Pan 2007.

De novo eu digo: Sediar uma Olimpíada não pode e não deve (!) ser só uma questão política.

Olimpíada e Jogos Panamericanos são coisas bem diferentes, mas parece que querem um revival do Pan.

Acho que eles não estão vendo que, para alguns, Olimpíada não é só turismo.

Mas esse é só o motivo 1...

Felipão de terno e gravata

Na semana passada, o renomado estilista italiano Giorgio Armani revelou o novo uniforme de gala que desenvolveu para o Chelsea. Este é o segundo ano do contrato entre ambas as partes, que tem duração até o ano que vem.

Porém, a surpresa será ver Luiz Felipe Scolari na beira do gramado vestindo o terno oficial azul-marinho com o escudo do clube no paletó, camisa branca em popeline de algodão e gravata em seda azul.

Armani também tem contrato com David Beckham e Kaká.

Agora resta saber se o Felipão irá mudar seu “jeito Felipão” de ser. Eu acho que não...