Confesso que não tive coragem de ver a cena do torcedor sendo espancado até a morte depois do clássico de domingo entre Palmeiras e São Paulo F. C.
Não vi e não preciso ver para me chocar. E o pior de tudo é que acreditei cegamente, nem por um segundo achei que fosse exagero de quem começou a me relatar.
Comentamos sobra o Derby (Palmeiras e Corinthians) no interior, que apesar de muitos reclamarem não teve nenhum caso de violência. O Derby voltou para a capital recentemente (Pacaembu) e também não ouvi nenhum relato de briga entre as torcidas. Até parece mentira...
Sempre escuto o jornalista Flavio Prado dizer que jogo de futebol não é coisa para família e que clássico é para “louco”. Não gosto de ouvir, mas infelizmente às vezes sou obrigado a concordar.
Não penso e nem é o momento para pensar em ações de marketing (talvez por isso o post fuja um pouco do perfil do Radar Esporte), o caso é mais grave e exige medidas pesadas, urgentes e intervenção de grandes autoridades.
Será que os clássicos devem ser jogados com portões fechados? Será que devemos cortar o mal pela raiz e perder a essência do jogo de futebol que são as torcidas vibrando, a paixão das pessoas? Não sei, o que eu penso é que não podemos mais levar do jeito que levamos e esperar que as pessoas mudem e do nada fiquem pacificas...
Não dá mais! Comentamos tanta coisa bacana do esporte, sabemos os valores e os benefícios que ele agrega e ainda contamos com situações como essas. Não quero ser visto como “louco”, como um apaixonado que ainda pensa que o futebol é bonito, alegre. Prefiro acreditar sim que isso é o certo, que apesar de profissionalizado, o esporte é festa, confraternização e uma válvula de escape para os jovens fugirem da violência. E não o contrário.
Fica aqui a tentativa de levantar a bandeira branca e os sentimentos para as milhares de famílias que tiveram parentes mortos no futebol. #paz
23 de fevereiro de 2010
Bandeira Branca no futebol!
22 de fevereiro de 2010
Seleção Brasileira | Mandingas
Falamos bem por cima do lançamento do novo uniforme da seleção que ocorreu no carnaval. A Nike escolheu a festa mais tradicional do país para apresentar a camisa azul e usou toda a bagagem cultural das tradicionais “mandingas” para ilustrar o vídeo que soltou na web.
O vídeo traz a história de Robinho, Luis Fabiano e Maicon (nomes certos na lista de Dunga para a Copa) e da curiosidade sobre a camisa reserva da seleção.
Vale a pena conferir:
17 de fevereiro de 2010
O carnaval do esporte
Todo mundo fala que esporte e farra não combinam. Que o encontro de atletas com bebidas alcoólicas não funciona! Mas em 2010 a CBF e a Nike inovaram e resolveram lançar a nova camisa da seleção durante a festa mais popular do pais, e os camarotes mais famosos do Carnaval lotaram de estrelas do esporte!
Se por um lado a Nike quis aproveitar o boom e a audiência da festa e somar a isso as outras duas pontas da tríade “futebol, mulher e carnaval”, as notícias sobre esporte neste feriado diminuíram, mesmo com rodada durante a festa!
Os clubes não pararam, mas as ações sim! Tem gente que fala que no Brasil o ano só começa depois do carnaval e assim eu espero porque até agora o marketing dos clubes esta de folga!
O “abada” do Corinthians do ano passado não deve se repetir. Mas espero que o ano seja mais movimentando do 2009, e sem apensas contratos e estampas nos uniformes!
O carnaval do esporte fica nos bastidores, longe da farra do foliões. No carnaval do esporte as pessoas se fantasiam de cartolas...
7 de fevereiro de 2010
O Robinho voltou | Go Visa nos gols históricos
Quem não se lembra da cena abaixo?
O gol contra o Palmeiras, na estréia do Fenômeno pelo Corinthians rodou o mundo e está eternizado na história do clube e do jogador.
Neste domingo a cena que ficou para história foi o gol do Robinho em sua volta ao futebol brasileiro contra o São Paulo F. C.
A coincidência não para porque foram dois clássicos (Corinthians e Palmeiras / Santos e São Paulo F. C.), dois gols decisivos nas partidas e duas cenas históricas. Em ambos os casos lá está a marca da Visa – Go Visa (apesar da Lupo estar junto, o peito das camisas era da Visa).
A marca não investiu em patrocínios anuais com clubes, em ambos os casos foram ações pontuais e de oportunidade. E por coincidência com gols...
Se por um lado buscamos projetos consistentes e longos, vemos uma marca que acabou criando uma modalidade neste segmento – patrocinar momentos.
A marca fala de experiências em suas campanhas e literalmente fez uso disso em suas iniciativas. Mais do que o valor investido e o tempo de duração dos contratos, a marca participou de dois momentos inesquecíveis para os clubes, jogadores e torcedores.
Não vou entrar no detalhe se é oportunidade ou oportunismo, mas penso que a marca poderia explorar mais essas cenas. São momentos que o “acaso” criou e que o tempo não vai acabar...
2 de fevereiro de 2010
Tour Taça da Copa do Mundo | Coca-Cola em ação
Caros leitores, 2010 começou e como não poderia ser diferente, em ano de Copa do Mundo, as marcas patrocinadoras têm correr atrás para ativarem o valor investido.
A Coca-Cola já começou algumas ações o ano passado, como “What’s your celebration” e agora em fevereiro traz para o Brasil o Tour da Taça da Copa do Mundo. O evento existe desde 2006 e agora no país pentacampeão fica em exposição por 4 dias: 6 e 7 de fevereiro no Rio de Janeiro e 8 e 9 em São Paulo, sendo que o 1º dia em cada capital será fechado para convidados. Os outros dois dias é para quem participar da promoção no Mc Donalds (também patrocinador da Copa), Cinemark ou WalMart.
A marca busca a presença em massa de crianças e para isso buscou parceria com escolas e ligas esportivas escolares. A procura por ingressos já é grande, e pensando nisso o evento será transmitido ao vivo nos quatro dias de evento às 17h30 (mesmo os dias fechados para convidados especiais serão transmitidos).
Mais informações no site oficial e no site da promoção
Vamos ficar de olho para ver as ativações das outras marcas. É preciso muita ação para potencializar o valor investido no patrocínio...
31 de janeiro de 2010
Chorão convoca a torcida do Santos para receber Robinho
Na manhã desta segunda-feira (01/02) ,o Santos F. C. apresenta oficialmente o craque Robinho. O atacante que estava no Manchester City está de volta ao futebol brasileiro depois de praticamente cinco anos, e pelo menos até a Copa do Mundo irá desfilar sua habilidade em nossos campos.
O clube que inovou na apresentação do novo uniforme (com show de mágica dos garotos Neymar, Ganso e Madson) e busca cada vez mais atuação em marketing, prepara uma super festa para receber o craque.
A partir das 10h00, na vila mais famosa do Mundo, a apresentação contará com show da banda Charlie Brown Jr. e a entrada será 1kg de alimentos que serão doados para o Haiti.
Vale lembrar que o atacante foi “vetado” de assistir o jogo do sábado contra o Oeste para não estragar o suspense com a torcida.
29 de janeiro de 2010
Robinho em partes. Vale a pena?
Robinho está de volta. A noticia não é nova e todo mundo já comentou sobre isso, mas vamos tentar olhar de um outro jeito.
Estava esperando a apresentação oficial, a definição do salário e dos nomes das empresas que vão bancar o salário, mas quero trazer a discussão antes destes pontos.
O Santos F. C. saiu na frente e repatriou o menino da Vila. É o clube que revelou, que vendeu e que parece ter conquistado um pedaço no coração do atleta. Mas, definitivamente não será o time da baixada que irá assinar a conta, e para isso, algumas empresas já foram acionadas para o rateio.
O contrato deve ser até o final da Copa do Mundo sem possibilidade de renovação, já que o Manchester City pretende recuperar o valor investido com o atleta.
Sendo assim, as empresas (entre duas e cinco) vão investir e buscar um retorno através do uso de imagem do jogador, uma vez que não terão participação em uma futura transferência. Dessa forma, estaria fazendo um “favor”para o Santos, mas ontem, ouvi Renato Mauricio Prado no programa Redação SporTv que “nada é de graça”, e concordo.
Para o clube e para o jogar não tenho duvida que será produtivo, mas fico me questionando se vale a pena para as empresas investirem nessa curta passagem do craque.
O que vocês acham?
25 de janeiro de 2010
"Reset" Umbro | Um case em construção
Na semana passada li alguns posts interessantes a respeito de um novo kit que a Umbro está desenvolvendo para a Seleção Inglesa de Futebol e comecei a me questionar um pouco sobre a estratégia da marca - para quem não sabe (ou não se lembra), a Umbro foi adquirida pela Nike no início de 2008 por cerca de U$ 580 milhões.
Naquele momento eu já me perguntava o que seria da marca inglesa após a aquisição. Na época, especialistas afirmavam que juntas as duas marcas poderiam conquistar cerca de 40% do mercado de artigos de futebol e fazer frente à grande rival alemã Adidas.
Apesar disso, as duas grandes questões para mim eram: será que a Umbro vai ser engolida pela Nike e irá desaparecer? E se não, como a marca inglesa irá se posicionar no mercado.
Após ler o post que comentei acima, fui buscar algumas informações a respeito da estratégia Umbro e achei interessante compartilhar com vocês.
O grande desafio, tanto para Nike como para Umbro, é que ambas atuavam em espaços parecidos e a partir da aquisição teriam de atuar de forma complementar, e não competindo entre si - apesar de que eventualmente é muito natural que isso aconteça.
A solução: a Nike iria continuar focando no esporte profissional de alta performance e a Umbro passaria a construir uma marca que engajasse os consumidores em pontos onde futebol e culturam "colidissem".
Só esta visão já justifica algumas das investidas recentes da marcas.
Trevor Cairns, Global CMO da Umbro, disse que descontruíram a marca até encontrar as peças do DNA que sempre estiveram presente na marca - "brand reset" como chama Cairns.
Algumas das "peças" deste DNA:
>>Marca tipicamente inglesa, presença em Manchester há 85 anos;
>>Foco exclusivo no futebol por todos estes anos;
>>Tailoring (alta costura, cuidado do "feito à mão", customizado).
Só estes três itens já seriam suficientes para começar a diferenciar Nike e Umbro.
Voltando ao foco "onde futebol e cultura colidem", a ideia é identificar movimentos culturais, como arte, música e política e criar um diálogo com o público.
Vamos mostrar como a Umbro vem tangibilizando tudo isso:
Após a aquisição, a Umbro desenvolveu, em 2009, um uniforme para a Seleção Inglesa. Mas para ir ao encontro da visão da marca, não bastava ser só um novo uniforme. E o brief foi seguido à risca. Designers criaram um modelo capaz de vestir até os que não se sentiam bem usando um uniforme de futebol, elementos que remetiam a uniformes mais antigos foram adicionados à peça e este foi o primeiro uniforme a ser vendido pelo tamanho do peitoral - como uma peça de alta costura - e não o tradicional P/M/G. Tudo isso com envolvimento dos jogadores e até do técnico Fabio Capello.
Mas não foi só a confecção do uniforme que tangibilizou o posicionamento Umbro. A campanha de lançamento grandiosa também procurou integrar história, o patriotismo inglês e o amor pelo futebol - clique aqui para ver mais informações sobre a campanha.
Para o uniforme 2 deste ano, a marca vai continuar trabalhando na mesma linha.
Até as chuteiras da marca mostram as infinitas possibilidades que existem nessa junção de cultura e futebol. Foi realizada uma competição para escolher o design de algumas das chuteiras da linha Speciali.
Mais de 10.000 designs foram enviados e recentemente a Umbro revelou os vencedores.
Outra iniciativa da marca muito comentada foi postada pelo Bruno aqui no Radar Esporte. O Kasabian Football Hero é outro ótimo exemplo do encontro entre duas esferas tão poderosas.
A Umbro soube que o Kasabian, banda inglesa de muito sucesso, iria divulgar seu novo single através de um "viral" que era uma paródia do Guitar Hero, ou o Football Hero. A marca apoiou a banda na produção, fez o tradicional product placement e conseguiu contar a sua história de forma muito criativa e interessante.
Como vocês podem ver, Umbro e Nike vão mostrando que é possível diferenciar as duas marcas dentro do mesmo universo.
Cairns diz que a complementaridade entre o posicionamento das duas marcas permite que a mesma pessoa compre Nike e Umbro por motivos completamente diferentes. Até aqui pelo menos, a história está comprada. Mas acho que agora todos devem estar com expectativas ainda maiores para saber como as duas vão continuar convivendo no futuro.
Depois de ler mais sobre a estratégia da Umbro, confesso que passei a admirar ainda mais a marca. É óbvio que não adianta ter contato com todo este pensamento se mais ideias como as que mostramos acima não continuarem aparecendo. No entanto, o que deu para perceber até agora é que a Umbro conseguiu um território bem proprietário e que pode diferenciá-la em escala global.
Trazendo isto para o cenário do Brasil e analisando os times que a marca patrocina por aqui penso que a Umbro teria um contexto riquíssimo para desenvolver suas ações de marketing, inclusive em nível internacional. Imaginem tudo o que pode ser feito com o Santos pensando nessa história de futebol e cultura...
20 de janeiro de 2010
Corinthians apresenta: “Ronaldo, Roberto Carlos e...Cielo”
Sim, caros leitores, por incrível que pareça o título é de verdade. Depois de trazer Ronaldo Fenômeno e concretizar a vinda do amigo e lateral esquerdo Roberto Carlos este ano, o Corinthians pretende trazer mais uma estrela para o seu time: o nadador César Cielo.
O nadador campeão olímpico e mundial é atleta do Pinheiros mas está com o contrato prestes a vencer, daí a oportunidade do clube paulista contratá-lo para o ano do centenário.
Quero trazer a discussão de dois pontos:
1. Para o clube. Sabemos a tradição do Corinthians em outros esportes, o clube sempre teve incentivo ao esporte amador, mas há um tempo vem focando cada vez mais no futebol. Será que vale a pena trazer um atleta do nível do Cielo sem a atenção e o foco que ele merece? Se o clube realmente não tem planos de continuar com a natação (não sabemos), será que um projeto pontual como este não pode ser pior?
2. Para o atleta. CIelo já é um ídolo e uma referência no esporte. Hoje, pode se dar ao luxo de aceitar propostas e não precisa pegar carona com nenhum clube ou marca para ter visibilidade. No caso do Corinthians, penso que César iria muito mais gerar mídia para o clube do que usufruir de qualquer beneficio. Sabemos que a natação é um esporte de um nível técnico muito elevado e que qualquer “tropeço” pode custar alguns milésimos de segundos em uma final. Será que vale a pena correr o risco?
Penso que no caso seria buzz para o Corinhians e algum certo atraso para o atleta.
18 de janeiro de 2010
Tiger Woods, o atleta.
"Veja essa celeuma em torno das infidelidades conjugais de Tiger Woods. Ele é um jogador de golfe; não é um pastor de igreja, nunca andou por aí pregando como os outros deveriam ou não agir. Ser um negro de sucesso então o torna automaticamente um modelo de comportamento e autoriza qualquer um a julgar suas atitudes? Creio que está errado."
O assunto não é nem um pouco novo, mas gostaria de abrir um espaço para pensar com esta última declaração de Morgan Freeman.
Depois que os casos de infidelidade Tiger Woods foram escancarados pela mídia mundial, o primeiro atleta a atingir a marca de 1 bilhão de dólares, e um dos melhores jogadores de golfe de todos os tempos, viu alguns de seus patrocinadores simplesmente desaparecerem após os "escândalos".
O fato é que atletas que representam a modalidade (pelo menos para uma geração),ou se tornam "maiores" que ela acabam, sim, se tornando um modelo de comportamento para a maioria das pessoas. No entanto, concordo com Morgan Freeman quando este diz que isso não nos autoriza a julgá-los.
São pessoas públicas, é claro, mas eu pelo menos estou interessado no que o Tiger Woods e outros atletas me inspiram dentro de seus esportes. Mas, de novo, isso é só minha opinião...
Problemas "extra-quadra" não são novidade pra ninguém. Michael Phelps, o Imperador Adriano, Ronaldo Fenômeno e o próprio Michael Jordan não me deixam mentir, mas acho que cada caso deve ser muito bem ponderado antes de se tomar algumas decisões um tanto quanto drásticas.
O que não faltaram foram números mostrando a desvalorização, na bolsa de valores, das empresas que patrocinavam Tiger Woods nos dias que seguiram a exposição dos casos pela mídia. Entendo a questão financeira por parte das empresas, mas acho que em qualquer setor nós temos que procurar humanizar um pouco mais as decisões.
Eu e o Bruno já escrevemos aqui algumas vezes sobre isso: O que será que vale mais no fim do dia? Romper o contrato com uma das lendas do esporte ou permanecer fiel ao atleta, apoiando a tal "volta por cima" e, quem sabe (?), tirar proveito disso no futuro.