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3 de maio de 2008

Parcerias vs Auto-suficiência. Qual o placar?


Ao ler a notícia da possível parceria da Traffic Sports com o Esporte Clube Vitória, resolvi levantar uma bola – a parceria é o melhor caminho para um clube?

Se pensarmos a curto prazo, não é necessário muito tempo para responder. Claro que sim. O grande exemplo disso é a parceria do Corinthians com a MSI, que logo no primeiro ano rendeu ao clube paulista mais um título brasileiro. Neste caso o resultado a médio e longo prazo foram muito piores do que os mais pessimistas imaginavam. Dívidas, revolta da torcida e, finalmente, a queda para a segunda divisão.

No rival Palmeiras a história é um pouco diferente. Após anos de fila depois da famosa “Academia”, o clube alvi-verde surge com uma parceria inédita no futebol brasileiro com a Parmalat, com executivos como Brunoro no comando e uma constelação de jogadores sob o comando de Luxemburgo. A fila acabou, títulos e mais títulos vieram para encher a sala de trofeús, mas anos após o final da parceria o Palmeiras também conheceu a segundona.

Por outro lado temos o São Paulo, um clube que não pára de ganhar títulos, com estrutura de primeiro mundo e que não cansa de falar que não precisa de parceria. Na Europa temos o exemplo do Barcelona, um dos maiores clubes do mundo, que também não tem patrocinador (hoje estampa o logo da UNICEF nos uniformes), tem grande parte da sua renda vinda de seus sócios e coleciona ídolos e títulos.

A discussão sobre a importância da parceria nos clubes de futebol deve ser vista por diferentes óticas. Um trabalho sério e estruturado feito por ambas as partes pode representar um sucesso a curto, médio e longo prazo. A primeira parceria do Palmeiras forneceu inúmeras ferramentas para o clube aprender a sobreviver sozinho, mas os dirigentes não aprenderam a andar com suas próprias pernas e se viram perdidos com a saída da Parmalat. Hoje, com mais uma parceria, desta vez com a Traffic, o trabalho parece ser diferente. O investimento de cerca de R$ 40 milhões no Palmeiras com a aquisição de direitos econômicos de jogadores de futebol parece não montar apenas um grande time, mas principalmente, uma excelente estrutura de categoria de base, centro de reabilitação, estádio moderno e, consequentemente, tudo para o clube poder sobreviver sozinho. Cabe ao Palmeiras aprender.

Para nós que torcemos pela profissionalização do esporte e para vermos os clubes serem trabalhados como marca, uma parceria séria e feita de uma forma organizada pode ser uma boa para todos. Clube, empresa e, claro, os torcedores.

28 de abril de 2008

Parcerias no Esporte | Rexona-AdeS

Foi veiculado hoje, no caderno Esportes da Folha de São Paulo, um anúncio da EMS – empresa da indústria farmacêutica - que fala da parceria firmada com a Ponte Preta (Associação Atlética da Ponte Preta). Basicamente o anúncio diz que a EMS está orgulhosa da parceria que se firmou com o clube e que, independentemente do resultado da final do Campeonato Paulista, a empresa está segura de que tomou uma decisão acertada ao patrocinar o clube.

Além de patrocinar a Ponte Preta a EMS está investindo igual valor no Guarani, ou seja, os dois maiores nomes do futebol de Campinas. Nos dois clubes a empresa irá investir aproximadamente R$ 2 milhões – meio a meio -, com direito a marca estampada no uniforme, ações promocionais durante as partidas, utilização dos camarotes privativos e instalação de placas nos estádios. Com este investimento a EMS espera fazer parte do processo de recuperação do futebol do interior paulista.

Este anúncio me fez lembrar de algumas parcerias que se destacam no cenário esportivo nacional e nos fornecem ótimos aprendizados, por isso vamos procurar mostrar algumas delas aqui no Radar Esporte.

Em uma iniciativa que já tem 10 anos, a equipe Rexona-AdeS, que já foi de Curitiba e hoje está no Rio de Janeiro, tem uma história de sucesso. É a única equipe pentacampeã da Superliga Feminina e possui, hoje, 22 títulos conquistados em diversos torneios e campeonatos.

Todas essas conquistas já seriam suficientes para comprovar o sucesso da empreitada, mas o time de vôlei é apenas a ponta do iceberg de um enorme projeto. O programa Rexona-Ades mostra que as oportunidades no esporte vão além da exposição da marca em camisetas e estádios. Em conjunto com os institutos Esporte & Educação e Compartilhar, o programa tem como missão transformar a vida e a perspectiva de crianças e jovens de baixa renda por meio do esporte, contribuindo para o desenvolvimento da cidadania. O projeto já atendeu 22 mil jovens nos seus 45 núcleos espalhados pelo Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo.

Através de um trabalho social e de base, a Unilever consegue difundir seus valores e contribuir de forma relevante para a sociedade, tanto no âmbito social como esportivo.

Projetos como o de Rexona-AdeS mostram que o patrocinador pode desenvolver um plano de ações com muito mais alternativas que vão além das formas tradicionais de patrocínio e que podem trazer, sim, ótimos resultados, principalmente se trabalhados no longo prazo.

Para quem acha que no caso deste projeto se trata de uma exceção frente a nossa realidade – já que se trata de uma grande empresa com iguais possibilidades de investimento -, vimos que o trabalho não é feito sozinho; ela conta com importantes parcerias que ajudam na viabilização do programa.

Fica a frase de Jaime Lerner, antigo prefeito de Curitiba, que uma vez afirmou: “A criatividade começa quando você corta um zero do seu orçamento”.