Caros leitores, provavelmente vocês não devem entender porque um título desses em um blog que fala justamente sobre este assunto. Acredito que vocês também não devem compartilhar com tal afirmação, afinal recebemos emails e comentários com dúvidas de vocês sobre o tal marketing esportivo, mas sempre com uma visão positiva do tema.
A frase do título é polemica, principalmente depois de saber que o autor de tal pérola foi Alexandre Kalil, presidente do Atlético Mineiro (ontem no programa Arena Sportv).
O homem que comanda o Galo disse que o marketing só serve para gastar dinheiro e que se uma empresa quer patrocinar determinado clube irá procurar o presidente da instituição e não cair na “conversinha” do marketeiro.
Em tempos que comentamos cada vez mais o esporte e os clubes como empresas, fico imaginando uma multinacional sem um departamento de marketing. Sinceramente não consigo explicar como seria, mas tenho certeza que iria falir em pouquíssimo tempo.
O Atlético Mineiro acertou a contratação de Vanderlei Luxemburgo, técnico altamente capacitado e extremamente marketeiro. Penso que Kalil só deve ter lembrado do lado “professor” antes de ter assinado o contrato, caso contrário não iria se contradizer com uma frase dessas.
O Galo é um dos clubes mais tradicionais do país, com uma das maiores torcidas, mas há tempos não deixa de ser apenas o segundo de Minas, já que a supremacia do rival Cruzeiro está cada vez maior. A disputa entre os dois está cada vez menos acirrada, com goleadas em finais do campeonato estadual e com pouco destaque do Atlético em campeonatos nacionais e internacionais.
Não vou creditar essa diferença entre os dois clubes apenas ao departamento de marketing, mas podemos fazer um paralelo entre estes dois lados. Se por um lado o Cruzeiro está firme entre os grandes e fortes do Brasil e com patrocínios e ações de marketing relevantes, o Atlético enxerga o departamento de marketing como desnecessário e caro, e dentro de campo figura cada vez menos com candidato real a títulos.
Espero que com esta visão, Kalil consiga montar um time forte e sustentável para os torcedores...
11 de dezembro de 2009
O marketing esportivo não serve para nada...
30 de junho de 2009
Muricy | Um estranho campeão no ninho

As demissões de Muricy Ramalho e Vanderlei Luxemburgo foram um prato cheio para a imprensa esportiva. Já havíamos comentado aqui os movimentos dos torcedores e as diferentes posturas das diretorias.
Na ocasião, o Palmeiras ainda tinha Luxemburgo no comando do time e o Sâo Paulo buscava um novo comandante. Hoje, Muricy pode pular o muro e ir para o rival Palmeiras (se não for para o Inter-RS), Luxemburgo está soltando o verbo em seu twitter e Ricardo Gomes assumiu o tricolor paulista.
Fiquei me questionando sobre o papel de cada um deles nas equipes. Luxemburgo é “marketeiro nato”, tem um currículo invejável e há algum tempo está falando mais do que fazendo. Quer ser “manager”, mas não se encaixa com a política de alguns clubes, que ainda estão na hierarquia vertical.
Vanderlei se modernizou, continua sendo um técnico de ponta, mas como toda empresa depende de um “produto bom”, o que não teve este ano com o Palmeiras.
Já Muricy é um caso a parte. Rabugento, trabalhador e muito simples. Apesar de não ser marketeiro, se vende sem falar nada, os resultados falam por si.
Sua demissão dividiu arquibancada e numeradas do Morumbi. Enquanto a turma de cima pedia, gritava e organizava manifestações pela sua permanência, os ligados a diretoria pediam sua cabeça e como neste choque de forças “pode mais quem tem mais”, ele caiu.
Se os clubes fossem realmente empresas teriam duas opções: um estrategista nato com um currículo com passagens por multinacionais e um pacato trabalhador sem holofotes que há 3 anos supera as metas de venda e é líder de share de mercado.
Muricy não se dava com parte da diretoria pois não freqüentava restaurantes chiques e nem usava roupas de marca. Apesar dos extraordinários resultados, foi mandado embora por uma eliminação já esperada.
“Um estranho no ninho”. É assim que podemos resumir o sentimento do técnico no meio de alguns diretores (apaixonados e amadores) do São Paulo F. C. Mas não podemos esquecer que esse “estranho” é um campeão e dos bons...
*Confiram aqui a sensacional entrevista de José Trajano com o ex-técnico do tricolor aqui.